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Brasil terá 1ª fábrica do mundo para tratar queimaduras com pele de tilápia

UOL Economia ·
Brasil terá 1ª fábrica do mundo para tratar queimaduras com pele de tilápia

O curativo biológico produzido a partir da pele de tilápia vai ganhar em breve uma produção em escala industrial no Brasil. A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da UFC (Universidade Federal do Ceará) há uma década, e a primeira fábrica será construída em Jaguaribara (CE), no sertão cearense a 293 km de Fortaleza.

A iniciativa, inédita no mundo, vai transformar a pele do peixe em um curativo destinado ao tratamento de queimaduras e feridas. Ela é fruto de uma parceria que reúne o Governo do Ceará, a Prefeitura de Jaguaribara e a empresa Biotec Medical Xenograft Engineering.

A expectativa é que a fábrica esteja em operação a partir de 2028. Segundo Luciano Foianesi, sócio-fundador e diretor da Biotec, o projeto vai mudar de patamar uma solução que tinha aplicação prática restrita. "Ela sai da bancada após uma década de pesquisa acadêmica na UFC para se tornar um produto", diz ele.

Foianesi afirma que a unidade de Jaguaribara deverá produzir inicialmente 4.500 curativos por dia, com capacidade para chegar a 13 mil no segundo ano de operação.

Ele também destaca o potencial da tecnologia para reduzir os custos do SUS (Sistema Único de Saúde) com o tratamento de pacientes queimados.

"O impacto para os cofres públicos será uma redução de 50,5% do gasto atual com os tratamentos convencionais. Esse é um dado muito importante", destaca Foianesi.

Ainda segundo o sócio-fundador, o resultado é possível porque o curativo é produzido a partir de um material que normalmente seria descartado, a pele da tilápia, o que contribui para reduzir significativamente o custo do produto.

De acordo com o Ministério da Saúde, o SUS teve 32,9 mil internações por queimaduras em 2025, com um gasto de R$ 92,5 milhões em tratamentos. Neste ano, até julho, foram contabilizadas 16 mil internações pelo mesmo motivo, com um gasto de R$ 46,8 milhões.

A escolha de Jaguaribara para sediar a fábrica está relacionada à posição estratégica na cadeia produtiva da tilápia. O município é o maior polo produtor do Ceará, está às margens do Açude Castanhão e fica a cerca de 130 quilômetros de Orós, segundo maior produtor do estado.

A iniciativa também deve movimentar a economia da região e gerar cerca de 200 postos de empregos diretos e 800 indiretos.

Ao UOL , Fábio Feijó, secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará, afirma que o investimento na primeira etapa do projeto supera R$ 52 milhões, entre recursos públicos e privados.

Segundo ele, a expectativa é de que o empreendimento alcance faturamento de R$ 58 milhões já no primeiro ano comercial e ultrapasse R$ 130 milhões anuais a partir do terceiro ano.

Além de atender ao SUS, Feijó afirma também que a iniciativa também mira o mercado internacional, com a expectativa de destinar cerca de 50% da produção de curativos à exportação.

Bruno Braga, diretor de negócios do grupo Biotec, diz que já recebeu pedidos de compra de outros países.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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