Como foi a primeira sessão do STF com Mendonça e Moraes frente a frente
A atmosfera que envolveu o plenário do Supremo Tribunal Federal na tarde desta quarta-feira (2) trazia o peso densamente sufocante dos momentos mais críticos e decisivos da história republicana recente.
Pela primeira vez desde o estopim do avassalador terremoto institucional que sacudiu as estruturas da capital do país, os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ocuparam seus respectivos assentos no plenário físico da Corte.
Separados por uma distância de apenas poucos metros em razão da rigorosa disposição regimental das cadeiras, critério estritamente balizado pela ordem cronológica de antiguidade na posse, os dois protagonistas centrais da maior crise da história do Judiciário moderno protagonizaram uma convivência marcada pelo gelo absoluto, pelo desvio contínuo de olhares e por um constrangimento tátil que contaminou irremediavelmente todo o ambiente do colegiado.
O reencontro tenso ocorreu menos de 24 horas após o relator do caso Master deflagrar uma ousada ofensiva contra Moraes ao tornar públicas mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
No entanto, o feitiço virou-se com rapidez devastadora contra o próprio feiticeiro.
Em um intervalo de poucas horas, revelações bombas mostraram postura semelhante de Mendonça ao trazerem à tona que ele próprio havia mantido uma audiência secreta, de portas fechadas, com o mesmo controlador da instituição financeira para debater operações milionárias envolvendo precatórios.
O baque fulminante deixou o magistrado indicado pelo bolsonarismo em uma situação extrema de vulnerabilidade ética e política, transformando a sessão plenária em um verdadeiro teste de resistência psicológica sob os olhares atentos da imprensa e de toda a nação.
Apesar da gravidade inédita dos fatos e da expectativa generalizada de um embate direto, o silêncio formal sobre a crise foi a tônica que uniu de maneira calculada magistrados e a cúpula da Procuradoria-Geral da República.
Presente à sessão, o PGR Paulo Gonet manteve-se profundamente impassível, sem emitir qualquer declaração ou aceno sobre os desdobramentos dos relatórios da Polícia Federal, dados esses que, segundo as investigações, arrolavam também a figura do chefe do Ministério Público Federal e a cúpula da Polícia Federal.
A atipicidade do ambiente ficou ainda mais evidente com a postura enigmática do decano Gilmar Mendes.
Conhecido por atuar como bombeiro institucional e por fazer duras intervenções em momentos de instabilidade do tribunal, o magistrado optou pelo silêncio absoluto e deixou o prédio principal do Supremo logo após a formalidade de abertura dos trabalhos, sem dar qualquer palavra.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.