Justiça decreta falência de rede de supermercados que teve 96 supermercados e 5 mil funcionários no Brasil; entenda o motivo
A Justiça de São Paulo decretou a falência do Grupo Ricoy, uma das tradicionais redes de supermercados do estado, encerrando uma tentativa de recuperação judicial que durou menos de um ano. A decisão, assinada na sexta-feira (28), atinge 33 empresas ligadas ao grupo, incluindo supermercados, distribuidoras, holdings e a operação do Vencedor Atacadista.
A empresa chegou a ter 96 lojas próprias espalhadas por mais de 70 municípios paulistas, além de empregar mais de 5 mil trabalhadores diretamente. Quando pediu recuperação judicial, em outubro de 2025, porém, já enfrentava uma grave crise financeira.
O processo revelou um passivo de R$ 461 milhões , considerando os créditos trabalhistas, de empresas e de outros credores incluídos na recuperação. Sem conseguir aprovar um plano para reorganizar as dívidas e com a operação cada vez menor, o grupo acabou tendo a falência decretada.
O Grupo Ricoy entrou com o pedido de recuperação judicial em 29 de outubro de 2025 e teve o processamento autorizado pela Justiça em novembro daquele ano. A expectativa era renegociar as dívidas e reorganizar a operação para que a empresa pudesse continuar funcionando.
O plano apresentado pela própria companhia, no entanto, foi rejeitado pelos credores em julho de 2026. Uma segunda proposta, formulada posteriormente por um grupo de credores, também não conseguiu avançar.
A administradora judicial Vivante apontou que os apoiadores do plano alternativo representavam apenas 0,185% dos créditos presentes na assembleia, percentual inferior aos 35% necessários para que a proposta pudesse ser submetida à votação. Com isso, a própria administradora passou a defender a decretação da falência .
Os números apresentados no processo mostram o tamanho do problema financeiro enfrentado pela companhia.
A relação de credores reunia 2.824 trabalhadores , com aproximadamente R$ 50,7 milhões em créditos . Havia ainda 653 credores enquadrados na Classe III, com cerca de R$ 385,9 milhões, além de 1.194 micro e pequenas empresas, que tinham outros R$ 24,6 milhões a receber. Somados, os valores chegavam a R$ 461 milhões.
A crise também se refletiu diretamente na operação. Segundo informações apresentadas pela administradora judicial, o grupo deixou de fornecer documentos operacionais, financeiros, contábeis e trabalhistas desde fevereiro de 2026.
Visitas realizadas às unidades indicaram ainda uma redução acelerada da atividade. Em agosto, nenhuma das operações era considerada plenamente em funcionamento.
A história do Ricoy começou décadas antes da crise. A rede surgiu a partir da união das operações Riviera e Yokoi, formadas por famílias que atuavam no comércio de alimentos na Zona Sul de São Paulo.
Ao longo dos anos, o grupo cresceu por meio de aquisições e incorporou diferentes redes e bandeiras. Entre elas estiveram Amais, Economax, Pão de Mel, Peri, Gimenez, Rei do Gado e Russi.
O grupo também apostou na expansão logística.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.