Olney viu Medicina mudar, mas nunca deixou de ouvir os pacientes
Quando Olney Cardoso Galvão chegou a Campo Grande, no fim da década de 1960, a neurocirurgia ainda dava os primeiros passos na cidade.
Segundo a filha, a médica Viviane Galvão, não havia a divisão de especialidades encontrada atualmente e o pai precisava transitar por diferentes áreas.
Atendia crianças e adultos, fazia neurocirurgias e, quando necessário, lidava até com questões psiquiátricas e aconselhamento dos pacientes.
As limitações não estavam apenas na quantidade de especialistas.
Os hospitais tinham poucos recursos para diagnóstico e para acompanhar pacientes no período posterior às cirurgias.
Viviane conta que não havia tomografia nem ressonância magnética disponíveis.
Em algumas situações, além do raio X, um dos poucos recursos para auxiliar na avaliação era o exame de fundo de olho.
A dificuldade de conduzir os casos cirúrgicos nesse cenário pesou na decisão de Olney de deixar gradualmente as operações e dedicar a maior parte da carreira à clínica.
Formado em medicina em 1964, em Minas Gerais, Olney especializou-se em neurocirurgia antes de retornar ao então Mato Grosso.
Em Campo Grande, tornou-se o segundo neurocirurgião da cidade e trabalhou ao lado de Naidor João da Silva, considerado pioneiro da especialidade.
Também participou do ensino médico e acompanhou as mudanças que transformaram a neurologia e a neurocirurgia ao longo das décadas.
Parte importante dessa trajetória ocorreu na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), onde permaneceu por décadas atendendo pessoas com deficiência e acompanhando famílias.
Para Viviane, não se tratava apenas de mais um local de trabalho.
“Ele amava a Apae, era o lugar que ele mais gostava de ir.
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