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Master, tráfico sexual e responsabilidades

UOL Notícias ·
Master, tráfico sexual e responsabilidades

Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros Feminismos Plurais

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Fiquei enojada, mas não surpresa, com a reportagem " Vorcaro era sócio oculto de agência de prostituição e recrutou refugiadas", publicada por Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião no UOL na última terça-feira (13).

Quem lê esta coluna também não foi surpreendido. Afinal, desde 19 de fevereiro deste ano, fui pioneira na imprensa brasileira ao denunciar a falta de investigação por parte da Polícia Federal sobre possível tráfico de mulheres para exploração sexual no caso. Enquanto orgias pagas por dinheiro público eram tratadas como "assunto de foro íntimo" pelas autoridades policiais, foi preciso perguntar: "E as mulheres? Quantos anos tinham? Podiam sair? Podiam dizer não? Quem as ouviu?".

A publicação recente ilustrou de modo concreto os argumentos que construímos ao longo do tempo no sentido de que Daniel Vorcaro financiou uma rede internacional de prostituição e recrutava mulheres vindas de países em guerra para orgias com autoridades brasileiras.

Segundo a reportagem, a Polícia Federal abriu um inquérito somente em maio, quando parlamentares mulheres provocaram a instituição. Eu mesma, quando estava morando em Massachusetts, encontrei-me com a deputada Tabata Amaral em um congresso. Jantamos juntas e provoquei-a para ingressar com a representação, o que ela acabou acatando e levando adiante na Polícia Federal.

Três meses se passaram entre a primeira denúncia de omissão e a investigação de fato. Isso é um problema, pois em três meses uma organização criminosa tem tempo suficiente para calar mulheres, cobrir rastros, queimar provas e se preparar. A inércia e a demora da Polícia Federal, propositais ou não, acabaram por favorecer os criminosos e é preciso correr atrás do tempo perdido.

Entre as garotas de programa cooptadas estavam refugiadas ucranianas. Esse fato reforçou a denúncia que já venho movendo em conjunto com a organização ucraniana La Strada na Procuradoria-Geral da República da Ucrânia. Anexamos à denúncia a reportagem do UOL traduzida ao inglês, na qual as mulheres refugiadas são referidas como "escravas". Já os garotos de programa, presentes em menor número, eram referidos como "macacos".

Os diálogos são de vomitar. A reportagem revela investimentos em uma agência de modelos de fachada. Além disso, descreve uma estrutura para cooptar e reunir mulheres jovens, referidas nos diálogos como "a creche".

Sobre o tráfico humano, um ponto central da reportagem é o relato sobre uma jovem refugiada ucraniana. Segundo as mensagens, sua cidade estava sendo bombardeada e a mãe enviava áudios dos ataques. Um funcionário de Vorcaro escreveu que a havia mantido no Brasil quando ela pretendia buscar refúgio na Itália. Em seguida, sugeriu incorporá-la à rede de prostituição. "Gata e novinha!", disse ele.

A jovem era chamada de "Mucilon", em referência ao cereal para bebês e crianças.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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