“Bondades” de Lula agrava crises econômica e institucional, diz pesquisador
A proposta de tarifa zero no transporte público, anunciada pelo governo federal, prevê a gratuidade do transporte coletivo aos finais de semana e seria viabilizada por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), a ser enviada ao Congresso Nacional.
Para Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, o conjunto de medidas do chamado “pacote de bondades” carece de embasamento técnico e pode agravar as crises econômica e institucional do Brasil.
Em entrevista ao CNN Money , Mendes afirmou que o governo tem anunciado uma série de medidas com potencial impacto eleitoral, sem estudos técnicos suficientes para avaliar seus efeitos.
“Um enxame de medidas, todas elas com impacto eleitoral, sem nenhuma pesquisa técnica por trás”, declarou.
Segundo o pesquisador, não há estudos aprofundados sobre os impactos econômicos e sociais da gratuidade no transporte público.
“Tem algumas estimativas de custo que são muito superficiais.
O que existe é pesquisa de impacto eleitoral”, afirmou.
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Segundo ele, muitas prefeituras não têm informações precisas sobre o faturamento das empresas nem sobre a quantidade de viagens realizadas.
“Como é que você vai botar um subsídio num sistema em que você não sabe quantas viagens foram feitas, porque quem controla isso é a concessionária e não o poder público?”, questionou.
Para o pesquisador, ampliar os repasses de recursos ao setor sem antes garantir maior transparência é uma medida arriscada, especialmente diante de investigações sobre possíveis vínculos entre o crime organizado e concessionárias de transporte público.
Falhas institucionais e distorções nas políticas públicas Mendes também criticou o que classificou como “total inércia das instituições”.
Ele apontou a ausência de avaliações técnicas por parte do TCU (Tribunal de Contas da União) e das áreas econômicas do governo sobre as medidas anunciadas.
O pesquisador mencionou ainda uma mudança de posicionamento do STF (Supremo Tribunal Federal) em relação a uma súmula que, segundo ele, restringia a ampliação de programas sociais em períodos próximos às eleições.
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