O que a Bolívia ensina sobre incentivos no mercado de embalagens retornáveis
Em julho deste ano, as distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo ( GLP ) na Bolívia relataram operar com apenas uma fração de sua capacidade.
O problema não estava na disponibilidade do gás, mas em outro elo da cadeia: faltavam cilindros aptos para circulação.
Recipientes fora de especificação vinham sendo retirados de uso sem reposição no mesmo ritmo, enquanto a demanda aumentava durante o inverno.
O episódio chama atenção para uma característica dos mercados que utilizam embalagens retornáveis.
Diferentemente de uma embalagem descartável, o recipiente de GLP é um ativo que permanece em circulação por anos e precisa ser continuamente inspecionado, mantido, requalificado e, ao fim de sua vida útil, substituído.
Isso significa que a disponibilidade de recipientes depende não apenas de regras que determinem quem deve cuidar deles, mas também de condições econômicas que sustentem investimentos recorrentes ao longo do tempo.
Na Bolívia, a responsabilidade pelo envase está concentrada na YPFB, única empresa responsável pelo envase de GLP e pelo fornecimento aos revendedores.
O país também opera com uma única marca de botijão e preços controlados pelo Estado.
Nesse modelo, a remuneração da atividade não tem sido suficiente para sustentar a reposição do parque de recipientes no ritmo necessário.
O caso evidencia uma questão econômica relativamente simples: definir formalmente quem é responsável por determinado ativo não garante, por si só, que haverá investimento suficiente para sua renovação.
Se a remuneração não permite recuperar os recursos empregados, o incentivo para investir diminui, mesmo quando a obrigação permanece prevista nas regras.
Conheça o Estúdio JOTA , área de conteúdo multimídia sob demanda do JOTA A fiscalização enfrenta limite semelhante.
O Estado pode estabelecer padrões de segurança, retirar de circulação recipientes condenados e exigir a manutenção do parque em condições adequadas.
Mas a fiscalização, isoladamente, não gera os recursos nem os incentivos econômicos necessários para financiar investimentos permanentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.