Mário Murakami: Roer o osso para quebrar a celulose
Mário Tyago Murakami usa uma expressão curiosa para falar de si e de quem trabalha com ele: roedor de osso.
É quem não larga a tarefa no meio do caminho, vai até o limite e, quando falta conhecimento, corre atrás.
Bolsista recém-chegado da escola pública a um colégio particular de Bauru (SP), largou de vez a televisão para tirar o atraso em relação aos colegas; fez o doutorado (direto) em apenas três anos num laboratório onde o orientador fomentava a competição entre os alunos como forma de estímulo; aceitou uma vaga de suplente na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), “no fundo da sala”, só para aprender como funciona a regulação da área — acabou presidente da comissão.
Isso sem falar na sequência de papers em periódicos de prestígio, entre eles Nature, Science, Journal of Biological Chemistry e Nature Communications .
Mário Tyago Murakami , 45, é especialista em bioquímica e biologia estrutural de enzimas e biotecnologia industrial.
É diretor do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do CNPEM.
Formação: Graduação em engenharia de alimentos e doutorado em biofísica molecular pela Unesp, com estágio no síncrotron Desy, em Hamburgo (Alemanha); livre-docência pela Unicamp (2013) Aos 45 anos, Murakami dirige o Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), onde chegou em 2008, trocando a perspectiva de um posto estável na Universidade Estadual Paulista (Unesp) por um contrato CLT.
Ali, seu grupo procura na biodiversidade brasileira, do intestino da capivara aos confins dos genomas de microrganismos, enzimas capazes de desmontar a celulose e transformar resíduos agrícolas em combustível.
Alguns desses achados embasam uma nova tecnologia que se aproxima de aplicação industrial.
Murakami é ainda o vencedor do Prêmio FCW de Ciência de 2026, da Fundação Conrado Wessel, no valor de R$ 500 mil, cujo tema neste ano foi a transição energética.
Em toda a trajetória do prêmio, Murakami é o segundo mais jovem a conquistá-lo em uma modalidade científica — o mais comum é ver entre os vencedores cientistas com mais tempo de carreira.
“O prêmio tem tido, de fato, esta tendência: reconhecer a trajetória antes que a promessa, a não ser que a promessa se mostre já estar sendo cumprida”, diz Carlos Vogt, diretor-presidente da fundação.
Além do laboratório e da CTNBio, Murakami coordena o Programa FAPESP de Pesquisa em Transição Energética e diz que uma de suas grandes realizações será criar um ambiente científico no qual surja massa crítica em áreas estratégicas para o tema.
Na entrevista, ele conta sua trajetória, explica por que mudou o foco de sua carreira de cristalografia para bioeconomia e desenha o futuro dessa área estratégica para o país.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.