O caso do Lago Grande e a falta de fiscalização no sistema do transporte escolar
Cenas de acidentes com transporte escolar são recorrentes no interior do Estado (Foto: Divulgação) O caso de uma adolescente atacada em uma comunidade indígena na zona rural de Boa Vista, na semana passada, chama a atenção para um fato que tem passado ao largo do crivo das autoridades: a fiscalização das empresas de transporte escolar e dos motoristas contratados por essas empresas para conduzir os veículos usados no transporte dos estudantes.
A garota de 14 anos foi esfaqueada durante um caso de violência sexual na Comunidade Lago Grande, cujo acusado do ataque foi o motorista do transporte escolar que levava crianças e adolescentes das comunidades indígenas para a escola.
A situação não menos grave é que esse motorista havia sido contratado há 20 dias, mesmo com 15 passagens pela polícia por acusações de roubo e estelionato.
Significa que as empresas contratadas pelo governo e prefeituras podem estar falhando na triagem na hora de contratar os motoristas que irão ficar responsáveis pela segurança e a vida de crianças e adolescentes no interior do Estado e comunidades indígenas.
Pelo que foi constatado no caso do Lago Grande, não houve uma investigação social, que é uma exigência legal para garantir a segurança e o bem-estar dos estudantes.
Vez por outra surgem denúncias, no interior de Roraima, de motoristas contratados para o transporte escolar sem obedecer às exigências legais, como possuir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria D e ter realizado curso especializado para transporte escolar, além de apresentar certidão negativa de antecedentes criminais.
No entanto, essas denúncias são ignoradas e muitas nem chegam ao conhecimento da imprensa por medo de represálias – que é real principalmente em comunidades pequenas.
Em muitos casos, as contratações são feitas por indicações políticas, apadrinhamentos por influência de lideranças da região e outras cumplicidades quando se trata de dinheiro público envolvido no negócio.
Com isso, as consequências implicam em insegurança dos alunos tanto no que diz respeito à questão de acidentes quanto suscetíveis a crimes, a exemplo do que ocorreu no Lago Grande.
Da mesma forma que não há uma fiscalização rigorosa sobre a contratação de motoristas, também não existe fiscalização rotineira sobre as condições dos veículos contratados para fazer o transporte escolar, o que gera repetidas cenas de veículos que se incendeiam, capotamentos devido não só às condições das estradas (que é outro problema), mas das condições mecânicas dos veículos e/ou da imperícia dos condutores.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.