Atlas: Opção de voto no 2º turno beneficia Flávio, mas resiliência do voto direto dá vitória a Lula
O mais recente levantamento nacional AtlasIntel/Bloomberg, realizado entre os dias 25 e 30 de agosto de 2026, com 5.014 entrevistados, trouxe uma das radiografias estatísticas mais detalhadas até aqui sobre o comportamento e a dinâmica de transferência do eleitorado brasileiro.
Num momento em que a corrida presidencial começa a ganhar contornos definitivos de afunilamento, os dados revelam um duplo movimento: se por um lado o senador Flávio Bolsonaro (PL) desponta como o destino natural da grande maioria dos votos das candidaturas de direita e da oposição no primeiro turno, por outro, essa capacidade de absorção ainda esbarra em um teto estrutural suficiente para manter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no confronto direto final.
No primeiro turno, o retrato das intenções de voto estimuladas mostra Lula na liderança consolidada com 43,4%, seguido por Flávio Bolsonaro, que marca 33,7% .
O restante da tabela reflete a pulverização do campo oposicionista e de alternativas de centro: o escritor Augusto Cury (Avante) soma 7,8%; o dirigente do Movimento Missão, Renan Santos, registra 7,6%; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), alcança 3,3%; o empresário Pablo Marçal (PRTB) soma 1,9%; e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), computa 1,0%.
É na camada inédita de “segunda opção de voto”, pergunta em que a pesquisa investiga o destino do eleitor caso seu candidato preferido desista da disputa, que os algoritmos de recrutamento digital da AtlasIntel escancaram a mecânica do voto útil.
Os números confirmam que Flávio Bolsonaro é o herdeiro imediato da maior fatia do bolsonarismo e da direita liberal.
Nada menos que 65,8% dos eleitores de Romeu Zema e 63,2% dos apoiadores de Pablo Marçal apontam o filho do ex-presidente como sua alternativa imediata.
Mesmo no eleitorado de Ronaldo Caiado, a migração para a candidatura oficial do PL é expressiva.
Entretanto, esse ganho de tração oposicionista não ocorre sem atritos relevantes.
A matriz de segunda opção demonstra que a oposição não avança em bloco monolítico.
Entre os eleitores de Augusto Cury, hoje o nome de centro-direita que mais cresce, o eleitorado divide-se: embora 23,3% migrem para Flávio, 14,8% indicam Lula como segunda alternativa e 22,6% afirmam que optariam pelo voto branco ou nulo.
O cenário é ainda mais refratário entre os apoiadores de Renan Santos: 32,9% declaram que anulariam o voto se o candidato do MBL saísse do páreo, enquanto apenas 5,6% iriam para a candidatura do PL.
Na média geral da segunda opção, a alternativa “Branco/Nulo” figura no topo, com 25,1%, evidenciando a fadiga de parcela expressiva do eleitorado perante a polarização tradicional.
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