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Brasil não vai atrelar negociação de tarifas à eleição, diz ministro

UOL Economia ·
Brasil não vai atrelar negociação de tarifas à eleição, diz ministro

Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou hoje que o governo brasileiro não pretende atrelar a negociação com os Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros ao calendário eleitoral americano.

Segundo Rosa, o Brasil vai tratar a questão como uma negociação comercial e econômica, independentemente das eleições presidenciais americanas. "Não há, na parte do Brasil, na parte do governo brasileiro, nenhum atrelamento à questão eleitoral", afirmou.

O ministro disse que o governo pretende buscar uma solução negociada para as sobretaxas, mas afirmou que o Brasil também vai se defender das medidas adotadas pelos EUA. Na avaliação de Rosa, as tarifas são "ilegais" à luz das regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), além de "abusivas" e prejudiciais ao país.

O Brasil apresentou em julho um pedido de consultas aos Estados Unidos na OMC contra duas medidas tarifárias. Uma delas impôs uma sobretaxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros; a outra acrescentou 12,5% para produtos de países abrangidos por uma investigação americana sobre trabalho forçado. O governo brasileiro afirma que as medidas são incompatíveis com as regras da OMC.

Rosa afirmou ainda que o processo aberto pelo Brasil para avaliar medidas de reciprocidade deve levar tempo. Segundo ele, os ministérios terão até 60 dias para levantar informações sobre os efeitos das tarifas americanas, que depois serão consolidadas em um relatório para subsidiar uma eventual decisão.

"Acho que não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade", disse o ministro. A expectativa, porém, é que Brasil e EUA consigam chegar a um acordo antes do fim do ano.

O processo de reciprocidade foi aberto pelo governo brasileiro neste mês, depois da entrada em vigor das novas tarifas americanas. A iniciativa, porém, não significa uma retaliação imediata: o governo tem dito que pretende priorizar a negociação antes de adotar eventuais medidas contra produtos dos EUA.

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