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Longevidade começa em quem lidera

Folha de S.Paulo ·
Longevidade começa em quem lidera

Empresária e conselheira do Grupo CRM, dono das marcas Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau e Kop Koffee

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Estreio este espaço na Folha para falar sobre um tema que passou a ocupar boa parte das minhas reflexões depois de quase três décadas construindo marcas: longevidade. Não apenas a que se mede em anos de vida, mas aquela que determina se uma empresa será capaz de atravessar o tempo sem perder relevância.

Vivemos uma cultura que celebra o imediato. O trimestre, o lançamento, o pico de vendas, o próximo resultado. Nada disso é errado. O problema começa quando confundimos velocidade com perpetuidade.

Construir uma marca para durar é uma escolha. E essa escolha muda a forma como se decide, se contrata, se investe e até como se descansa.

Aprendi, na prática, que longevidade não significa permanecer igual. Significa evoluir continuamente, revendo modelos e estratégias sem abrir mão dos valores que sustentam a caminhada. Marca perene não é a que resiste à mudança. É a que muda sem se trair.

Mas há um ponto que o mundo dos negócios ainda evita encarar: não existe empresa longeva sem pessoas capazes de sustentá-la. E a primeira delas é quem lidera.

Costumo dizer que o cuidado com o CPF sustenta o CNPJ. Um gestor exausto, sem saúde e sem espaço para pensar tende a tomar decisões de curto prazo mesmo quando seu discurso promete o longo prazo.

Foi assim comigo. Passei anos acreditando que entrega e sacrifício eram quase sinônimos, até a vida me obrigar a reaprender o ritmo. Entendi que um executivo precisa estar preparado para a maratona, não apenas para o sprint. Quem passa a vida inteira em ritmo de tiro curto dificilmente chega inteiro ao fim. E a empresa sente isso muito antes de aparecer no balanço.

Pensar em perpetuidade, portanto, começa na agenda. Em como distribuímos nosso tempo, em quando dizemos não e no espaço que damos ao sono, ao exercício, à família e às relações que não cabem numa planilha.

Longevidade pessoal e longevidade empresarial fazem parte da mesma conversa, ainda que tenhamos aprendido a separá-las. Líder que não se cuida vira gargalo. Empresa que depende de um herói cansado não é sólida. É frágil disfarçada de robusta.

E há outra consequência importante dessa visão: quem pensa no longo prazo precisa construir algo que sobreviva à própria presença.

Por isso, sucessão não deveria começar quando alguém está prestes a sair. Formação de times não deveria ser apenas uma atribuição de recursos humanos. E liderança não deveria ser medida pela quantidade de decisões que passam pela mesa do chefe.

Longevidade se constrói no plural. É deixar a casa mais forte do que a encontramos e preparada para seguir sem depender de uma única pessoa.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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