Durigan diz que discute parcerias privadas para problema dos Correios
O ministro da Fazenda Dario Durigan disse, em entrevista à GloboNews, que os Correios têm um problema, e que o governo discute parcerias com a iniciativa privada para modernizar a estatal.
Durigan afirmou que o governo já colocou R$ 6 bilhões para modernizar os Correios, que estão afundados em dívidas. Ele disse que a estatal ficou para trás quando foi incluída no PND (Programa Nacional de Desestatização) e, depois, durante a pandemia, enquanto empresas de logística se modernizaram.
Ministro disse que o governo faz um trabalho de recuperação da empresa e não descarta parcerias com o setor privado. Durigan afirmou que não há dificuldade em discutir quais parcerias a estatal precisa fazer com a iniciativa privada.
Durigan negou que a posição do governo seja defender exclusividade dos Correios em entregas ligadas à taxa das blusinhas. Parlamentares discutem a exclusividade da estatal na entrega de compras internacionais isentas de impostos, e ele disse que o tema não foi tratado com ele.
Ele disse que estatais podem registrar lucro e ainda assim aparecer com déficit nas contas públicas. Quando a estatal faz investimento, isso é considerado como déficit na contabilidade pública, afirmou, ao citar que, de 2024 para 2025, estatais somaram R$ 170 bilhões de lucro.
Durigan disse que juros são um problema, mas criticou o uso de elementos políticos no debate. "O que a gente não pode é, mais uma vez, querer usar, dizer que nós estamos fazendo um debate técnico e trazer os elementos políticos e confundir as pessoas", sustentou.
Ele afirmou que há evidências de dificuldade para famílias saírem do endividamento por causa de juros do cartão e do cheque especial. Durigan disse que o Desenrola é um programa pontual para oferecer saída a quem contraiu dívidas no passado e citou crédito com juros mais baixos para empresas.
Durigan disse que é evidente que o país precisa de mais ajuste fiscal, com trajetória gradual. Ele afirmou que a equipe econômica apresentou ao Congresso uma trajetória de 0,5% no ano que vem, 1% em 2028 e 1,5% em 2029.
Ele afirmou que a taxa de juros está descalibrada e disse que o governo reduz o impulso fiscal. Durigan afirmou que o compromisso é seguir diminuindo o gasto obrigatório para sanear o Orçamento, e defendeu a revisão de benefícios tributários com previsibilidade.
Durigan disse que o governo limita o crescimento de emendas e busca retirar benefícios aprovados sem fonte de custeio. Ele afirmou que a gestão conversa com o Congresso e recorre ao Supremo para derrubar benefícios fiscais aprovados sem compensação.
Durigan disse que o debate sobre uma nova reforma da Previdência precisa considerar a desigualdade. Ele afirmou que não faz sentido tratar da mesma forma quem mora na periferia e quem mora no centro de uma capital.
Ele citou a revisão da aposentadoria de militares como exemplo de ajuste. "Não dá para a população estar se aposentando com 70, 65 anos, em média, e o militar estar se aposentando com 45, 46 anos", disse.
Durigan disse que o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões.
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