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Empresários são acusados de montar estrutura milionária para extrair, transportar e “legalizar” minérios da Terra Yanomami

ac24horas ·
Empresários são acusados de montar estrutura milionária para extrair, transportar e “legalizar” minérios da Terra Yanomami

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou seis pessoas e quatro empresas por suposta participação em uma organização criminosa responsável por um esquema de extração, transporte e comercialização ilegal de ouro e cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Segundo o órgão, os danos provocados pela atividade chegam a R$ 1,7 bilhão.

A denúncia, publicada em 4 de setembro pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, descreve uma estrutura organizada em diferentes núcleos, responsáveis pela exploração das jazidas, logística aérea, fornecimento de equipamentos e insumos, movimentação financeira e comercialização dos minérios.

Entre os principais acusados estão o empresário Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, a White Solder Metalurgia e Mineração Ltda. e seu sócio, Alessandro Saccoman Torrente.

Segundo o MPF, Rodrigo Cataratas coordenava a logística aérea e utilizava as empresas Tarp Táxi Aéreo Ltda. e Cataratas Poços Artesianos Ltda. para transportar clandestinamente garimpeiros, combustíveis, equipamentos, insumos e minérios.

O órgão afirma que ele recebeu mais de R$ 19 milhões provenientes da conta da cooperativa envolvida no esquema.

Ainda conforme a denúncia, Jidalias dos Anjos Pinto exercia função estratégica, enquanto Filipe José da Silva Galvão atuava como sócio-operador, piloto e elo com o transporte aéreo.

Nelcides de Almeida Mello seria responsável pela exploração direta das jazidas e teria pago mais de R$ 5,6 milhões em fretes aéreos entre novembro de 2020 e junho de 2021.

Já Valdeci Aparecido Cardoso teria atuado na gestão de insumos e equipamentos, controle da produção e suporte às pistas clandestinas.

O núcleo financeiro, segundo o MPF, era comandado por Alessandro Saccoman Torrente, apontado como responsável pelo financiamento das operações, fornecimento de maquinário pesado para abertura de cavas, compra de grandes volumes de minério e coordenação do envio da cassiterita para Rondônia.

Minério com suposta origem falsificada A denúncia aponta ainda que a cassiterita extraída ilegalmente da Terra Yanomami era encaminhada para uma filial da Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), em Boa Vista.

De acordo com o MPF, a cooperativa não tinha produção própria nem cooperados atuantes.

Mesmo assim, declarava o minério como se fosse resultado da produção de cooperados regulares e emitia notas fiscais para a White Solder.

O MPF sustenta que o minério era associado, de forma fraudulenta, a permissões de exploração de áreas que, na prática, não haviam sido exploradas.

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