Macron cobra respostas a estudantes em protesto
Presidente francês pede ao governo medidas objetivas em poucas semanas, após três semanas de bloqueios escolares e quase 8.000 detenções
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O presidente da França, Emmanuel Macron , exigiu nesta quarta-feira, 14, que o governo apresente, nas próximas semanas, soluções claras para as demandas de estudantes que mantêm escolas e institutos bloqueados desde o fim de setembro.
Segundo a porta-voz Maud Bregeon, Macron considera as reivindicações legítimas , mas afirma que elas estão sendo usadas politicamente. O recado foi dado após a reunião do Conselho de Ministros, um dia depois de atos em várias cidades.
Bregeon disse que Macron pediu medidas sobre as instalações escolares, os horários de aula, a orientação acadêmica e a substituição de professores ausentes. O ministro da Educação, Édouard Geffray , informou que 3.000 docentes serão designados para substituições nos próximos dias. Até o fim da reunião, 2.000 já tinham assumido os postos.
Geffray recebe as associações estudantis nesta quinta-feira, 15. Em entrevista à BFMTV, afirmou que cerca de 4% dos 3.700 institutos do país seguiam fechados.
Bregeon separou dois planos do conflito : “Precisamos distinguir, de um lado, as reivindicações legítimas e, de outro, as violências inadmissíveis, que são instrumentalizadas e se transformam em violência urbana, com confrontos com as forças da ordem e com funcionários da Educação Nacional como alvos. Isso deve ser condenado unanimemente” , declarou.
As manifestações de terça-feira, 13, em Paris, Lyon e outras cidades, reuniram 161.500 pessoas , de acordo com o Ministério do Interior. Os sindicatos estudantis que convocaram as marchas falam em 480.000 . A diferença entre as contagens é comum em grandes mobilizações francesas.
Os líderes do movimento exigem 10 bilhões de euros adicionais para a educação no Orçamento de 2027 e dizem que não abrirão mão do valor. Houve confrontos nas margens das concentrações em Paris e Lyon, onde a polícia usou gás lacrimogêneo.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, acusou o partido de esquerda A França Insubmissa (LFI) , de Jean-Luc Mélenchon , de atiçar o movimento durante sessão de perguntas ao governo no Senado: “Eles atiçaram as chamas, depois fingem condenar a violência, e agora até se esqueceram de fazê-lo. Essa hipocrisia prejudica a França” , afirmou.
Mélenchon, candidato da LFI à Presidência, participou de uma das marchas em Paris. O Executivo viu no gesto uma prova de instrumentalização eleitoral . A Reunião Nacional (RN) , de extrema direita, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial de abril e maio de 2027, apoiou os policiais mobilizados e responsabilizou os estudantes pela violência .
O Ministério da Justiça contabiliza 7.950 detidos desde o início dos protestos , dos quais 6.773 são menores de idade. Vinte e seis pessoas estão em prisão preventiva. Lecornu citou 148 profissionais da educação, 937 policiais e 248 estudantes feridos, alguns em estado grave.
O governo espera que as férias escolares , que começam no sábado, 17, e vão até o início de novembro, reduzam a mobilização.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.