Colômbia e Ucrânia estão mais conectados do que imaginamos
Nos últimos três anos, entre 2.000 e 3.000 colombianos cruzaram o Atlântico como mercenários, atraídos por salários inalcançáveis em seu país.
Por trás desses números há um padrão recorrente: um país periférico, enviando corpos para uma guerra distante, transformando a vulnerabilidade do Sul Global em força de combate na Europa.
Isso não significa que nos últimos anos o Governo Petro não mudou as condições da Colômbia.
Segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), a pobreza monetária colombiana caiu para 28% em 2025 e a extrema pobreza para 9,6%, enquanto o desemprego atingiu 8,9%, mínimo em 25 anos.
Ainda assim, os recrutas vêm, sobretudo, de áreas rurais e periféricas, onde a pobreza multidimensional resiste às melhorias macroeconômicas.
Para ex-militares e jovens sem perspectiva, a promessa de 12 milhões de pesos mensais é irrecusável.
O recrutamento opera por redes de intermediários: um agente, muitas vezes ex-militar, oferece “vagas” em construção, logística ou segurança privada.
Só no destino a vítima descobre o treinamento militar e o envio ao front.
O caso de 30 colombianos aliciados pela Imperial Group International , sem notícias por meses, ilustra o mecanismo.
Em março de 2026, o Grupo de Trabalho da ONU sobre mercenários se pronunciou após a Colômbia aprovar a Lei 2.569, incorporando a Convenção Internacional contra o Recrutamento de Mercenários.
Estima-se que mais de 10 mil colombianos tenham sido recrutados na última década para conflitos como Ucrânia, Sudão e RD Congo, mas a lei ainda não freou a engrenagem.
Os riscos são altíssimos: o consulado em Varsóvia registra 502 colombianos ligados ao conflito, 446 declarados desaparecidos.
Há capturados, como um ex-militar preso por tropas russas em Kupiansk (2024), e sobreviventes presos em burocracias para voltar.
O que existe por trás desses números é que o combatente estrangeiro logo deixa de ser aliado e vira recurso descartável e mesmo a promessa de remessa à família frequentemente não se cumpre, com salários retidos e famílias sem acesso a uma simples certidão de óbito.
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