Violência contra trabalhadores da saúde é consequência do projeto político do governo do DF
Mais uma vez, fomos surpreendidos com a notícia de que uma enfermeira, no exercício do seu ofício, foi agredida fisicamente por uma paciente. Esse tipo de notícia, que é cada vez mais frequente, não pode ser normalizado.
A agressão sofrida por uma enfermeira dentro de um hospital público do Distrito Federal, além de não ser um episódio isolado, é mais um retrato de uma rede de saúde submetida, há anos, à precarização, à sobrecarga e à incapacidade de responder adequadamente às necessidades da população.
Nenhuma frustração justifica violência contra trabalhadores da saúde. A responsabilização de quem pratica violência precisa ser firme. Mas responsabilizar o agressor não encerra a discussão.
Existe uma violência anterior, silenciosa e institucional, que também precisa ser enfrentada: a violência que o trabalhador sofre ao sustentar uma rede de saúde cada vez mais fragilizada e, ao mesmo tempo, colocá-los diante de uma população que chega aos serviços de saúde sem encontrar a resposta que precisa. A violência que a população sofre, ao peregrinar pelas unidades em busca de atendimento, e se deparar com déficit de pessoal, e a incapacidade do sistema de absorver sua demanda.
A violência direcionada ao profissional de saúde, em especial à enfermagem – que na maioria das situações é o principal ponto de comunicação entre o serviço e o paciente , – não se trata apenas de uma questão de segurança, mas resulta de um grave problema de gestão pública, que não trata a saúde do Distrito Federal como prioridade.
O DF vive uma crise assistencial que não surgiu de repente. Ela é resultado de decisões políticas que, ao longo dos anos, enfraquecem a capacidade do Estado de oferecer uma assistência pública de qualidade.
O desmonte do serviço acontece de forma ordenada, em consequência das escolhas dos gestores em não nomear concursados , mantendo incompletos os quadros de pessoal, em não tratar os adoecimentos dos trabalhadores com a devida atenção, e em terceirizar serviços essenciais, causando desarticulação da rede assistencial.
O resultado é previsível: longas filas de espera, sobrecarga e exaustão dos profissionais, e conflito entre servidores e população. E, nesse cenário de caos institucionalizado, o trabalhador é transformado em anteparo de uma crise que não produziu.
Em fevereiro de 2025, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) descreveu problemas estruturais na saúde pública do DF , citando, entre outros fatores, subfinanciamento, superlotação, déficit de profissionais, gestão ineficiente, ingerência política e infraestrutura precária.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.