Ibama identifica uso do fogo para ampliar desmatamento e pastagens no Amazonas
Manaus (AM) – Os incêndios florestais no Amazonas são utilizados para degradar a floresta e consolidar o desmatamento ilegal, segundo Jair Schmitt, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Em entrevista exclusiva à Amazônia Real concedida nesta terça-feira (13), Schmitt declarou que há indícios de que o fogo é provocado de forma criminosa em diferentes áreas do estado para limpar terrenos e ampliar pastagens destinadas à pecuária.
“Praticamente todo incêndio que tem ocorrido aqui no Amazonas é de origem humana.
Mas o que a gente tem percebido é que várias propriedades e mesmo em áreas públicas, está sendo colocado fogo deliberadamente para degradar a floresta e depois transformar isso em desmatamento.
Normalmente para atividade pecuária, é o mais comum.
As pessoas desmatam para a criação de gado na região”, disse.
A crise de queimadas e incêndios florestais no Amazonas levou o governo federal a reconhecer a situação de emergência em 36 municípios no dia 10 de outubro.
No domingo (11), por volta das 14h, o presidente do Ibama sobrevoou áreas atingidas pelos incêndios florestais ao lado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.
O voo partiu da Base Aérea de Manaus, na zona sul da cidade, e flagrou áreas críticas de queimadas no centro-leste do Amazonas, entre a capital e a divisa com o Pará, e no sul do estado, uma região que faz parte da expansão da fronteira agropecuária e é considerada uma das principais áreas críticas do arco do desmatamento na Amazônia Legal.
“Autazes, Careiro da Várzea, Urucurituba, Itacoatiara e Parintins são os municípios com áreas mais críticas de incêndios.
E no sul do estado, em Lábrea, Borba, Humaitá, Boca do Acre, Apuí, também são regiões sensíveis com ocorrência de incêndios”, afirmou Schmitt.
No sobrevoo, foram identificadas áreas recém-desmatadas, com árvores derrubadas e vestígios de madeira, além de incêndios avançando para o interior da floresta amazônica , inclusive em locais de difícil acesso.
Schmitt também relatou que os incêndios florestais alcançaram terras indígenas no Amazonas, incluindo a Terra Indígena Andirá-Marau, do povo Sateré-Mawé, na divisa com o Pará, e outras áreas indígenas na região de Autazes, onde vive o povo Mura.
A possível identificação dos responsáveis e a comprovação de eventuais crimes ambientais, no entanto, dependem da apuração de cada ocorrência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em amazoniareal.com.br — o conteúdo pertence a Amazônia Real.