Estudo dinamarquês revela que 45% dos casos de demência são evitáveis
“A velhice ridícula é, porventura, a triste e derradeira surpresa da natureza humana”, escreveu Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas .
A ideia que Machado fazia da velhice não era propriamente a do mundo atual. No conto Linha Reta e Linha Curva , ele escreveu: “Quanto ao velho que lhe dava o braço, era, como disse, um homem de 50 anos. Era o que se chamava em português chão e rude, um velho gaiteiro”.
Qual não seria a surpresa do maior escritor da nossa língua, ao saber que dali a um século e meio mulheres e homens dessa idade estariam em plena atividade profissional e que a expectativa média de vida beiraria os 80 anos.
Nenhuma dessas enfermidades, entretanto, demanda a complexidade de recursos humanos e materiais requeridos pela “triste e derradeira surpresa”. Pessoas com demência sobrecarregam a saúde pública, a sociedade e, sobretudo, as famílias, não só no Brasil, mas em todos os países do mundo.
Nas últimas décadas aprendemos que os quadros demenciais muitas vezes se instalam por condições genéticas, ambientais e neurobiológicas mal conhecidas, contra as quais pouco ou nada podemos fazer.
No entanto, segundo a The Lancet Commission on Dementia, ao lado dessas causas, há pelo menos 16 fatores de risco passíveis de modificação, para prevenir ou retardar a instalação dos quadros demenciais. A comissão estima que esse conjunto de fatores seja responsável por 45% dos casos no mundo.
São eles: 1) traumatismos cerebrais; 2) depressão ; 3) perda de audição ; 4) perda da visão ; 5) diabetes; 6) distúrbios do sono ; 7) hipertensão arterial; 8) colesterol elevado ; 9) doenças cardiovasculares; 10) hospitalizações por doenças infecciosas; 11) obesidade; 12) fumo; 13) consumo de álcool ; 14) baixo nível educacional; 15) sedentarismo ; e 16) isolamento social.
Acabam de ser publicados os resultados de um inquérito populacional dinamarquês que avaliou a interação entre esses fatores em todos os habitantes do país nascidos em 1957 ou antes dessa data — portanto, com 70 anos de idade ou mais. No total, foram acompanhadas mais de 1,7 milhão de pessoas que não apresentavam demência, número que torna esse estudo o mais completo já realizado.
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