Programa espacial chinês avança em ritmo acelerado e ameaça liderança dos EUA
Em abril de 1970, o lançamento de uma missão chamada Dong Fang Hong 1 colocava o primeiro satélite chinês no espaço .
Décadas depois, aquele voo revelou-se apenas o primeiro passo para tornar a China uma das maiores potências aeroespaciais da Terra.
O país que começou com um satélite modesto hoje opera sua própria estação espacial permanente, pousou rovers no solo de Marte e conquistou o feito inédito de explorar e trazer amostras do lado oculto da Lua .
Financiada por orçamentos estatais bilionários e isolada do ecossistema ocidental por sanções dos Estados Unidos, a China transformou a exploração espacial em uma vitrine de soberania industrial.
Ao desafiar a liderança histórica da NASA e erguer uma infraestrutura espacial autônoma, Pequim estabelece uma rota paralela e independente para o futuro da presença humana no Universo.
Em 24 de abril de 1970, a China lançou o satélite Dongfanghong 1 ao espaço, sob os olhares atentos de populares curiosos. – Crédito: Weibo O nascimento de uma potência nas sombras A história da exploração espacial chinesa começa com uma peculiaridade quase irônica : o homem que tornou o programa possível viveu durante anos nos EUA e ajudou a fundar o próprio Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA.
Qian Xuesen, um brilhante matemático e especialista em aerodinâmica nascido em Hangzhou, era uma das mentes mais brilhantes da ciência de foguetes do pós-guerra mundial.
No entanto, durante a paranoia anticomunista do macarthismo nos anos 1950, Qian foi acusado de “simpatias subversivas”, colocado sob prisão domiciliar e teve sua autorização de segurança revogada pelo governo dos EUA.
Em 1955, após intensas negociações diplomáticas, ele foi trocado por pilotos estadunidenses capturados durante a Guerra da Coreia e retornou à China.
Ao desembarcar em Pequim, Qian Xuesen encontrou um país devastado pela guerra civil, predominantemente agrícola e sem infraestrutura industrial básica.
Quando o líder Mao Tsé-Tung perguntou se a China seria capaz de construir seus próprios mísseis e foguetes, a resposta de Qian foi categórica: “Qualquer coisa que os ocidentais podem fazer, os asiáticos também conseguem.” Qian Xuesen, que ajudou a fundar o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA é o maior responsável pela implantação do programa espacial da China. – Crédito: Domínio público Conhecido hoje como o “Pai da Astronáutica Chinesa”, Qian organizou o chamado Grupo 581 , o embrião da indústria de mísseis e exploração de alta atmosfera.
Nos anos 1960, a ruptura entre Pequim e Moscou forçou o país a adotar uma doutrina de absoluta autossuficiência.
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