O médico que você não deveria consultar
A melhor frase para encerrar uma consulta deveria ser: “Você está bem”, dita depois de uma avaliação cuidadosa.
Mas, em certos consultórios, tornou-se comercialmente inconveniente.
O exame está normal, porém poderia estar “otimizado”.
O corpo funciona bem, porém, pode render muito mais.
A idade avança, mas se oferece uma maneira não validada de negociar com o calendário.
A pessoa entrou buscando cuidar da saúde.
Sai convencida de que precisa consertar a própria existência.
Neste 18 de outubro, Dia do Médico, penso nas duas Medicinas que estão disponibilizadas atualmente: a Medicina de verdade, baseada na ética e nas evidências científicas, e a “medicina” baseada no faturamento e na pseudociência.
Uma medicina procura reconhecer doenças, aliviar sofrimento e preservar possibilidades de vida saudável.
Outra se apropria da linguagem do cuidado e da prevençãopara vender insatisfação, inadequação alarmista e ilusões.
As duas podem usar jaleco e exibir diplomas na parede.
A divisão é ética.
Honestidade não pode ser medida pela decoração da sala ou pela popularidade nas redes.
Seria injusto confundir remuneração com mercantilismo, pois médicos precisam receber dignamente pelo trabalho.
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