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Metade das mulheres afegãs sai de casa no máximo 2 vezes por mês, diz ONU

UOL Notícias ·
Metade das mulheres afegãs sai de casa no máximo 2 vezes por mês, diz ONU

Metade das mulheres no Afeganistão deixa de casa no máximo duas vezes por mês em meio às restrições impostas pelo Talibã, segundo relatório da ONU Mulheres.

Mais da metade das mulheres entrevistadas afirmou sair de casa duas vezes por mês ou menos. Quase três em cada quatro disseram não se sentir seguras ao circular sem um guardião homem, conhecido como mahram.

A ONU Mulheres contabiliza mais de 100 decretos contra mulheres e meninas desde a volta do Talibã ao poder, em 2021. Segundo a agência, as medidas institucionalizaram a discriminação e reduziram a participação feminina na vida pública.

A desigualdade também aparece no mercado de trabalho. Apenas 7% das mulheres têm emprego no país, ante 84% dos homens, de acordo com o relatório.

Sete em cada dez entrevistadas classificaram a própria saúde mental como ruim ou muito ruim. Entre os fatores citados estão o isolamento, a perda de oportunidades e as dificuldades de acesso a redes de apoio.

O Afeganistão é o único país do mundo onde meninas são proibidas de frequentar o ensino secundário e mulheres não podem cursar universidades. A Unesco estima que 2,4 milhões de meninas foram impedidas de estudar no ensino secundário desde que o Talibã retomou o poder, em 2021.

Novos decretos adotados em 2026 reduziram ainda mais as proteções legais das mulheres, segundo a ONU Mulheres. As medidas acabaram com a igualdade entre homens e mulheres perante a lei e tornaram mais difícil para elas pedir o divórcio.

O levantamento foi realizado em duas etapas. A ONU Mulheres entrevistou 2.190 pessoas presencialmente, entre fevereiro e março de 2025, e outras 2.811 por telefone, entre abril e maio de 2026.

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