Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão: hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira
Há cerca de 60 anos, uma decisão agrícola da antiga União Soviética desencadeou uma das maiores catástrofes ambientais da história.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Há cerca de 60 anos, uma decisão agrícola da antiga União Soviética desencadeou uma das maiores catástrofes ambientais da história. O desvio de rios para irrigar plantações de algodão fez o Mar de Aral perder mais de 90% de sua superfície, deixando para trás um deserto contaminado por sal e resíduos agrícolas.
Agora, o Uzbequistão tenta conter os danos com uma estratégia surpreendente: plantar arbustos em 1,7 milhão de hectares para reduzir a erosão e as tempestades de poeira.
Até meados do século XX, o Mar de Aral era um dos maiores lagos interiores do planeta, com aproximadamente 68 mil km². Suas águas sustentavam comunidades pesqueiras e ajudavam a movimentar a economia regional.
A partir da década de 1960, os rios Amu Dária e Sir Dária passaram a ter grandes volumes de água desviados para irrigar plantações, principalmente de algodão. Com menos água chegando ao lago, a evaporação acelerou seu desaparecimento, expondo cerca de 60 mil km² de antigo fundo marinho.
O desaparecimento da água não significou apenas a perda de um ecossistema aquático. O solo exposto acumulou sais e resíduos de fertilizantes e pesticidas utilizados durante décadas de atividade agrícola.
Quando os ventos atingem a região, essas partículas podem ser lançadas na atmosfera e transportadas por grandes distâncias. Entre os principais problemas estão:
A principal aposta é o saxaul (Haloxylon) , um arbusto adaptado às condições extremas da Ásia Central. A espécie consegue sobreviver em solos salinos, com pouca água e temperaturas elevadas, características que tornam o antigo leito do Mar de Aral especialmente difícil de recuperar.
O Uzbequistão já promoveu o plantio de saxaul e outras plantas adaptadas ao deserto em aproximadamente 1,7 milhão de hectares.
A vegetação ajuda a fixar o solo por meio das raízes e dificulta que o vento espalhe poeira e sal. A iniciativa, porém, não pretende reconstruir o lago original, mas reduzir parte dos danos ambientais.
Fazer a vegetação sobreviver nesse ambiente exige mais do que espalhar sementes.
A salinidade elevada, a escassez de chuvas, as tempestades de areia e o calor intenso, que pode ultrapassar 42 °C no verão, dificultam o desenvolvimento das plantas.
Projetos experimentais buscaram melhorar os resultados com técnicas específicas de cultivo. Entre as estratégias testadas estão:
O método pode favorecer o estabelecimento das plantas em condições difíceis. Em algumas parcelas, a sobrevivência chegou a 78%, acima dos 20% a 30% observados em plantios convencionais por sementes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.