Professor pega 7 anos de prisão por comparar aluno negro a macaco em Maceió
Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Justiça de Alagoas condenou hoje a sete anos e três meses de prisão um professor de matemática que foi demitido após comparar um aluno negro a um macaco durante uma aula em um colégio particular em Maceió.
Ele respondeu a denúncia do MP-AL (Ministério Público de Alagoas) pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores. A pena deve ser cumprida, inicialmente, em regime semiaberto. O réu, que ainda pode recorrer em liberdade, foi condenado ainda ao pagamento de indenização mínima de R$ 15 mil pelos danos causados à vítima.
O caso ocorreu em 12 de fevereiro e teve como vítima um adolescente de 13 anos, que deixou a escola após o episódio. O nome do suspeito não foi revelado.
Na denúncia, o MP-AL destacou como agravante a condição dele ser professor e ter o dever de proteção de crianças e adolescentes. Além disso, cita que ele praticou o ato na presença e com a participação de outros estudantes.
Para o advogado do adolescente, Alberto Jorge Ferreira, a pena foi emblemática. "Foi a maior que já vi para um caso de racismo", diz, citando a equiparação de injúria ao racismo.
É um troféu ingrato para a raça negra comemorar sentença de condenação por racismo, por intolerância religiosa... porém, quando as pessoas insistem em desrespeitar e discriminar as pessoas, temos de usar os instrumentos da lei. Alberto Jorge, advogado
A cena foi gravada por uma câmera de segurança do Colégio Fantástico, no bairro do Benedito Bentes. No vídeo, é possível ver que um aluno está com o caderno aberto embaixo da carteira, com a imagem de um macaco embaixo.
Em determinado momento, ele puxa esse caderno e chama o professor. Segundo o pai da vítima, esse colega teria perguntado ao professor com quem o animal se parecia, e ele aponta então para o aluno no fim da sala, que fica atônico e sério, enquanto outros colegas riem.
O advogado do jovem afirma que ele chegou em casa chorando e contou o episódio ao pai, que no dia seguinte procurou a escola. "Ele está muito abalado", diz.
"No início do vídeo, dá pra ver que ele estava feliz da vida, conversando com um amigo ao lado dele. Depois, veio o silêncio fatal, nenhuma palavra mais no dia. Ele só voltou às aulas após o professor ser afastado", conta.
Mesmo após voltar às aulas, ele sofreu muito bullying, os alunos comentando. Ele me disse: 'As pessoas olhavam pra mim e lembravam da figura do caderno'. Alberto Jorge, advogado do adolescente
À época, em nota, o Colégio Fantástico manifestou "seu repúdio a qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito" e disse que são "condutas incompatíveis com seus valores e com o ambiente escolar que busca assegurar".
"Em relação ao episódio ocorrido em sala de aula, o colégio adotou providências imediatas e medidas institucionais cabíveis. O profissional foi afastado e não integra mais o quadro de colaboradores".
A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas.
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