Embrapa testa cereal que pode substituir trigo e transformar indústria de biscoitos
Foto: Alfredo do Nascimento Jr/Embrapa O triticale, um cruzamento entre trigo e centeio, ganhou aval da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para o uso na composição de produtos destinados à alimentação humana.
Testes de panificação e confeitaria realizados pela empresa Vilma Alimentos (MG), parceira da Embrapa Trigo (RS), indicam a viabilidade de substituição da farinha de trigo pela farinha de triticale na composição, principalmente, de biscoitos.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! Segundo a pesquisadora da Embrapa Trigo, Jane Machado, a indústria de biscoitos deve ser um dos principais mercados para o triticale no Cerrado porque “o triticale garante a crocância e a firmeza dos biscoitos, permitindo eliminar o uso de aditivos químicos para atingir esses atributos”.
Ela também destaca que os grãos de triticale, inteiros ou moídos, podem ser utilizados em cereais matinais e produtos dietéticos.
O triticale é um cereal de inverno, desenvolvido por meio do cruzamento do trigo com o centeio por melhoramento genético.
O resultado foi a criação de uma planta com a qualidade do trigo e a rusticidade do centeio.
“Avaliamos a aplicação da farinha de triticale em 11 produtos.
Os testes mostraram que é possível utilizá-la em seis deles, sendo que em dois foi possível substituir totalmente a farinha de trigo pela farinha de triticale sem perder qualidade”, conta Sérgio Gonçalves, diretor técnico da Vilma Alimentos.
A empresa elaborou uma tabela resumindo as conclusões dos testes práticos: Imagem: Vilma Alimentos, agosto de 2026.
Na produção de biscoitos moldados, a substituição pode chegar a 100%, mantendo boa expansão e atributos similares ao padrão elaborado somente com farinha de trigo.
Na panificação, a mistura indicada ficou em 50% de trigo e 50% de triticale, limitada à fabricação de pães de baixo crescimento.
No caso de biscoitos laminados doces (conhecidos no mercado como biscoito de maisena), os testes mostraram que é possível substituir até 30% da farinha de trigo por triticale, mantendo o padrão de textura, cor e sabor característicos dos produtos.
Mais de 40 anos de presença Apesar dos testes práticos para produção industrial serem novos, o triticale começou a chegar às lavouras brasileiras na década de 1980, em razão dos primeiros trabalhos da Embrapa Trigo na adaptação das cultivares trazidas do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), com sede no México.
Desde então, a cultura tem sido utilizada principalmente na Região Sul, como forragem na produção agropecuária ou como ração de suínos e aves.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.canalrural.com.br — o conteúdo pertence a Canal Rural.