Decisão sobre Moraes no STF será “jogo de xadrez”, diz Hübner Mendes ao WW
O professor de Direito Constitucional da USP (Universidade de São Paulo) Conrado Hübner Mendes afirmou nesta terça-feira (1º) que o STF (Supremo Tribunal Federal) deverá enfrentar um cenário inédito e de alta tensão ao decidir sobre a eventual investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro .
“Eu não sei antecipar o comportamento de ministros do Supremo.
Eu sei reconhecer que, de fato, haverá um jogo de xadrez muito difícil, muito acirrado no corpo a corpo dos corredores, isso sem dúvida”, afirmou Hübner Mendes, em entrevista ao jornal WW, da CNN Brasil .
O ministro André Mendonça pretende levar ao plenário do STF , na próxima semana, o relatório da PF (Polícia Federal) que aponta ligações entre Moraes e o ex-dono do Banco Master.
A eventual abertura de uma investigação contra um integrante da Corte depende de autorização do plenário.
A definição da data para a análise cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Na avaliação de Conrado, o episódio deve ser analisado dentro de um problema institucional mais amplo.
Para ele, Moraes estaria enfrentando, no caso, uma situação semelhante àquela produzida pela concentração de poderes monocráticos que o próprio ministro exerceu.
“Eu acho que é mais interessante a gente pôr esse caso sob um pano de fundo de múltiplas disfuncionalidades do STF.
De alguma maneira, Alexandre de Moraes está experimentando o gosto de um veneno que ele mesmo explorou”, disse.
Leia Mais Waack: STF mergulha em crise que arrasta o país e a política Análise: Novas mensagens impactam 3ª tentativa de delação de Vorcaro Oposição pede à PGR afastamento e prisão de Moraes O professor classificou como uma “disfuncionalidade gigantesca” a concentração de poder nas mãos de um único ministro .
“É uma disfuncionalidade gigantesca que tamanho poder esteja hoje concentrado na mão de um ministro, esse ministro André Mendonça.
Assim como é de uma disfuncionalidade gigantesca o tamanho do poder que estava concentrado, para decisões monocráticas, nas mãos de Alexandre de Moraes”, criticou.
Conrado também rejeitou a ideia de que o episódio deva ser reduzido a uma discussão sobre eventual pressão popular sobre os ministros.
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