Governo Lula rejeita argumentos dos EUA para tarifaço de Trump em nova reunião
O governo brasileiro se reuniu virtualmente nesta segunda-feira (31) com Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, na primeira negociação bilateral desde o anúncio do tarifaço de julho.
Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, da Indústria, afirmaram que o tratamento dispensado ao Brasil pelos Estados Unidos é “injusto e discriminatório” e incompatível com as regras multilaterais de comércio.
O encontro, acertado após conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto, não produziu avanços concretos imediatos, mas terminou com a concordância de novas rodadas de negociação em níveis ministerial e técnico.
Brasil contesta tarifaço em reunião com os EUA A reunião desta segunda-feira marcou a retomada formal do diálogo bilateral sobre o tarifaço americano.
Pelo lado brasileiro, Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa transmitiram ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a posição oficial do governo Lula: as medidas impostas por Washington são unilaterais, incompatíveis com as regras multilaterais de comércio e representam tratamento injusto e discriminatório contra o Brasil.
Em nota conjunta divulgada pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo brasileiro também contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
Segundo os ministros, as alegações “não correspondem às efetivas práticas brasileiras”.
O encontro foi acertado depois que Lula e Trump conversaram por telefone em 21 de agosto.
Na ocasião, Lula disse a Trump que as justificativas do USTR para recomendar o tarifaço eram “infundadas”, segundo relatos da conversa.
A reunião desta segunda-feira foi um desdobramento do contato entre os dois presidentes.
Tarifas dos EUA atingem quase 4 mil produtos brasileiros Os Estados Unidos impõem atualmente duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
A primeira, de 25%, foi justificada pelo entendimento americano de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais contra empresários norte-americanos em seis áreas da economia, entre elas Pix, desmatamento, propriedade intelectual e etanol.
A segunda, de 12,5%, foi aplicada sob a alegação de que o Brasil falhou em proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A tarifa substituiu uma sobretaxa global de 10% que vigorou até julho.
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