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Economia

Galípolo defende medidas contra endividamento e aponta para problemas no cartão rotativo

Por Redação 5News · · com informações de Valor Investe
Galípolo defende medidas contra endividamento e aponta para problemas no cartão rotativo

Banco Central aponta alto índice de inadimplência em cartão rotativo e estuda medidas para frear endividamento das famílias

A autoridade monetária brasileira sinalizou esta semana que está atenta ao crescimento preocupante da inadimplência relacionada ao rotativo de cartão de crédito. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, fez questão de destacar que os números indicam falhas estruturais no produto em si. A entidade discute possíveis intervenções regulatórias para conter o avanço do endividamento das famílias, que atingiu patamares nunca vistos em alguns indicadores.

Gravidade dos números revela desenho problemático do produto

O índice de inadimplência do rotativo chegou a 65%, conforme revelou Galípolo em entrevista coletiva após divulgar o Relatório de Política Monetária. Essa cifra levou o presidente da instituição a usar uma expressão direta: "Um produto com 65% de inadimplência tem problema de design". A evolução dessa taxa mostra a rapidez da deterioração. Há apenas alguns meses, em agosto, o próprio Galípolo havia informado que o indicador havia saltado de 55% para 64%.

O comprometimento da renda mensal das famílias brasileiras com suas obrigações de pagamento atingiu 28,9% em junho. Essa métrica acumula um crescimento de 0,4 ponto percentual comparando junho com meses anteriores, e de 1,7 ponto percentual quando vista em perspectiva anual. A combinação desses dados - inadimplência crescente e comprometimento de renda em expansão - acendeu uma luz de alerta na instituição reguladora.

Preocupação com estratégias agressivas de concessão de crédito

Galípolo sinalizou que a instituição dirigida por ele está mobilizada para lidar com o que chamou de oferta de crédito agressiva e até predatória. O presidente enfatizou a necessidade de implementar mecanismos de proteção preventivos e de exposição de informações que deem mais transparência aos consumidores. Segundo ele, é fundamental "criar consciência na contratação do crédito". As instituições financeiras, de acordo com avaliações do setor, devem enfrentar uma possível majoração do peso de risco associado ao cartão de crédito na fórmula de cálculo de capital que os bancos precisam manter.

Essa alteração teria implicações práticas imediatas. Os bancos seriam compelidos a manter reservas maiores de capital especificamente alocadas para essa modalidade de crédito, encarecendo consequentemente a oferta e orientando os recursos para outras categorias de empréstimo. Um precedente relevante ocorreu em dezembro de 2010, quando o Banco Central implementou uma medida análoga direcionada ao financiamento de veículos, naquela época em expansão de quase 20% ao ano.

Crescimento desproporcional do cartão na base de crédito

O ambiente de crédito como um todo apresenta números que confirmam a preocupação centrada especificamente no cartão. Enquanto o saldo agregado de operações de crédito expandiu-se 7% no período de doze meses até julho, o cartão destinado a pessoas físicas avançou 14,7%. A modalidade mais cara e com maior risco de endividamento compulsivo, o rotativo, subiu 20,8% no mesmo intervalo de tempo. Esse crescimento desproporcional deixa claro que o cartão de crédito, e especialmente sua modalidade rotativa, está crescendo a uma velocidade bem acima da média do mercado de crédito.

Indicadores de endividamento em patamares históricos

A pressão sobre as finanças das famílias tornou-se evidente em vários indicadores compilados pela autoridade monetária. O endividamento total das famílias, medido como proporção da renda acumulada em doze meses, fechou junho em 49,75%. Esse patamar aproxima-se perigosamente do máximo histórico de 49,92% registrado em janeiro deste ano. Mais preocupante ainda é o comprometimento de renda especificamente com o pagamento de dívidas, que atingiu 28,85% em junho - um patamar inédito até então.

Dentro desse comprometimento de renda dedicado ao pagamento de dívidas, uma parcela particularmente relevante destina-se unicamente aos juros. Esse percentual alcançou 37,6%, também um recorde. Significa dizer que mais de um terço da renda comprometida com dívidas não vai para eliminar o principal, mas apenas para remunerar credores. Essa dinâmica reflete a armadilha criada por produtos de alto custo como o rotativo.

No segmento específico de crédito pessoa física em ambiente de mercado aberto, a inadimplência atingiu 7,8%, apontando para o maior patamar da série histórica disponível, segundo os dados do Relatório de Política Monetária divulgado pela instituição.

Contexto: A estrutura regulatória do Banco Central frente ao endividamento

O Banco Central do Brasil funciona como gestor da política monetária do país e também como órgão supervisor do sistema financeiro. Suas decisões afetam diretamente o funcionamento de bancos e instituições de crédito. Quando a autoridade identifica tendências preocupantes nos indicadores de inadimplência e endividamento, possui ferramentas para intervir, seja aumentando exigências de capital, estabelecendo limites de taxas, ou requerendo transparência maior nas ofertas.

O cartão de crédito rotativo é uma modalidade que tem características muito específicas. Diferente de um empréstimo convencional com parcelas predeterminadas, o rotativo permite que o consumidor pague apenas uma fração da dívida no mês, deixando o restante para ser cobrado com juros no período seguinte. As taxas de juros associadas a essa modalidade são historicamente entre as mais altas do mercado de crédito, frequentemente superando 200% ao ano. Essa combinação de flexibilidade de pagamento e custos elevados cria um ambiente propício para que consumidores com dificuldades financeiras acabem se vendo presos em ciclos de endividamento.

A preocupação da instituição reguladora com o desenho do produto não é trivial. Um produto com 65% de inadimplência, como apontou Galípolo, representa uma falha não apenas na qualidade do crédito concedido, mas potencialmente no próprio conceito subjacente. Muitos consumidores acabam contratando cartão rotativo sem compreender plenamente os custos envolvidos ou sem ter clareza sobre sua capacidade real de pagamento.

O que acompanhar

A divulgação do Relatório de Política Monetária já sinalizou que o Banco Central está em movimento. Os próximos desdobramentos provavelmente incluem a definição formal de medidas regulatórias específicas para o cartão de crédito. Conforme indicam fontes do setor, a possível elevação do peso de risco para cartão de crédito no cálculo de capital das instituições deve ser analisada cuidadosamente. Também será importante observar se o Banco Central adotará outras medidas de transparência, como obrigatoriedade de alertas mais explícitos sobre custos ou restrições quanto à oferta agressiva de limites elevados.

Outro ponto a acompanhar diz respeito a possíveis mudanças nas taxas de juros gerais da economia, uma vez que a instituição monitora constantemente a dinâmica de endividamento como parte de sua responsabilidade na condução da política monetária. Também merece atenção qualquer evolução nos números de inadimplência, especialmente se a taxa do rotativo continuar a subir nos próximos meses. A comunicação pública de Galípolo deixou claro que esse tema ocupa espaço relevante nas prioridades da instituição, o que sugere que outras ações regulatórias podem estar em discussão nos bastidores.

Principais pontos:
• Inadimplência do rotativo atingiu 65%, levando o Banco Central a apontar falha no desenho do produto
• Comprometimento de renda das famílias com dívidas alcançou patamar inédito de 28,85% em junho
• Cartão de crédito pessoa física cresceu 14,7% em doze meses, desproporcionalmente acima dos 7% de crescimento do crédito total
• Banco Central estuda aumento do peso de risco para cartão de crédito no cálculo de capital dos bancos como medida regulatória

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Valor Investe — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.

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