A voz negra na esfera pública: do pioneirismo histórico aos 10 anos do Jornal Empoderado
As iniciativas de mídia alternativa não são um fenômeno recente, tampouco o é a robusta trajetória da imprensa negra no Brasil.
Longe de ser um apêndice da história oficial, o jornalismo negro brasileiro remonta a 1798, com os boletins Ecos de Búzios .
Fruto da audácia dos rebeldes da Conjuração Baiana, esses registros costumam ser negligenciados pela historiografia tradicional.
Da mesma forma, é preciso confrontar o apagamento histórico de Luiz Gama, cofundador do Diabo Coxo e figura central na articulação jornalística abolicionista.
Entre o final do século XIX e o início do XX, testemunhamos a efervescência de periódicos como O Homem de Cor — fundado em 1833 por Francisco de Paula Brito —, além de inúmeras publicações de clubes negros paulistas.
Essa linhagem de resistência seguiu com o A Voz da Raça (1933), órgão da Frente Negra Brasileira; a revista Quilombo , de Abdias Nascimento; e o suplemento Gazeta Afrolatina , no jornal Versus , sob o impulso de Hamilton Cardoso e Dulce Pereira.
Em suma, intelectuais negros e negras travaram batalhas contínuas para ocupar a esfera pública, conferindo visibilidade a perspectivas sistematicamente ignoradas.
Apesar do cerceamento imposto pelo racismo estrutural, essa voz jamais silenciou.
É herdeiro direto dessa linhagem o Jornal Empoderado (JE), que celebrou sua primeira década de existência em agosto de 2026.
Idealizado pelo jornalista Anderson Moraes, o JE nasceu na materialidade do papel antes de “enegrecer” as redes digitais.
Nos primórdios, o próprio Moraes encarregava-se da distribuição física em bancas, um esforço hercúleo que demonstrava, desde cedo, o compromisso com a circulação da informação em territórios periféricos.
Embora as transformações tecnológicas tenham alterado o suporte, a essência do projeto permanece inabalável.
Ao longo destes dez anos, o JE consolidou-se como um amplificador para os chamados “invisíveis”, cobrindo o pulsar dos movimentos sociais, a efervescência cultural das periferias e o esporte comunitário.
Ao pautar o debate contemporâneo sob uma ótica racializada, o veículo presta um serviço indispensável à real democratização do país.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.