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Uma luz ultravioleta acendeu listras num fóssil antigo: crocodiliano de 125 milhões de anos pode preservar uma das camuflagens mais antigas do grupo

O Antagonista ·
Uma luz ultravioleta acendeu listras num fóssil antigo: crocodiliano de 125 milhões de anos pode preservar uma das camuflagens mais antigas do grupo

Fóssil encontrado na Espanha revela pele preservada, estruturas sensoriais e possíveis faixas de camuflagem na cauda de um antigo parente dos crocodilos

Um fóssil de aproximadamente 125 milhões de anos revelou detalhes que permaneceram praticamente invisíveis durante mais de um século. Ao examinar o Montsecosuchus depereti com luz ultravioleta, pesquisadores identificaram pele fossilizada, possíveis estruturas sensoriais e faixas claras e escuras na cauda. A descoberta sugere que esse pequeno parente dos crocodilos atuais possuía um padrão de coloração que poderia funcionar como camuflagem.

O estudo, publicado em junho de 2026, analisou um exemplar encontrado na Catalunha, no nordeste da Espanha. A pesquisa apresenta uma das evidências mais antigas de possível coloração preservada entre os crocodilomorfos, grupo que inclui os crocodilianos modernos e seus parentes extintos. Entretanto, as cores originais e a função das faixas ainda não foram confirmadas.

O Montsecosuchus depereti viveu durante o Cretáceo Inferior, em uma região que atualmente integra os Pré-Pireneus catalães. Naquele período, a área abrigava ambientes lacustres próximos ao litoral. O corpo do animal foi depositado em sedimentos finos de um antigo lago, condições que favoreceram a conservação de estruturas normalmente destruídas durante a fossilização.

O exemplar estudado possui aproximadamente 50 centímetros de comprimento e foi encontrado no sítio paleontológico Pedrera de Meià. Catalogado como MGB-512, pertence ao Museu de Ciências Naturais de Barcelona. Embora tenha sido descoberto há mais de um século, uma nova análise revelou informações sobre sua aparência externa que não haviam sido documentadas anteriormente.

Durante um trabalho de catalogação de fósseis provenientes da região de Montsec, os paleontólogos Oscar Castillo-Visa e Jesús Serrano perceberam que determinadas estruturas do exemplar reagiam de maneira diferente quando iluminadas com radiação ultravioleta. Essa técnica permite destacar contrastes entre os tecidos fossilizados e a rocha, tornando visíveis detalhes difíceis de observar sob iluminação convencional.

Os pesquisadores conseguiram distinguir escamas, cartilagens e possíveis órgãos sensoriais. Entretanto, o resultado mais surpreendente apareceu na cauda: algumas escamas apresentavam faixas transversais alternadas, interpretadas como possíveis vestígios da coloração original do animal. Essa interpretação ainda exige cautela, pois o padrão observado não permite determinar suas cores exatas.

As faixas identificadas na cauda podem representar um exemplo antigo de camuflagem disruptiva, estratégia em que padrões contrastantes dificultam a identificação do contorno corporal. Em ambientes naturais, essa característica pode tornar um animal menos perceptível diante de vegetação, sombras ou outros elementos do cenário.

Os pesquisadores consideram essa possibilidade porque crocodilianos atuais também apresentam padrões de coloração variados. Contudo, a presença de faixas no fóssil não comprova automaticamente sua função.

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