A mulher de César e a Globo
À mulher de César, você sabe, não basta ser honesta, precisa também parecer honesta.
Só depois de revelado pela concorrência que Flávio Bolsonaro almoçou com a cúpula do Grupo Globo hoje, horas antes de ser entrevistado no Jornal Nacional, a empresa emitiu nota reconhecendo o encontro e enfatizando que fazem parte da rotina encontros de cortesia.
E é até possível que o almoço estivesse marcado ainda antes do sorteio das entrevistas que indicou a de Lula, para ontem, e a de Bolsonaro, para hoje.
Mas, se foi assim, de duas uma: ou deveria ter sido desmarcado ou, ao menos, informado antes pela própria Globo.
O encontro se deu entre o candidato, João Roberto Marinho e Paulo Tonet, vice-presidente de relações institucionais.
Marinho é simplesmente presidente do Grupo Globo, presidente do Conselho Administrativo, presidente do Conselho Editorial e do Comitê Institucional do Grupo Globo.
Ontem o comportamento da jornalista Renata Lo Prete foi exemplar, em golaço do jornalismo, pela firmeza e qualidade das perguntas, sem concessões, e pela elegância.
Impossível querer que o cidadão comum não associe o almoço à entrevista e à demissão de alguém com relações íntimas com quem financiou o filme do pai de Flávio Bolsonaro.
Tudo parece imenso lamaçal em que o cidadão eleitor, leitor e telespectador, não passa de alguém a ser tratado feito trouxa.
A Globo fez o que fez ao apoiar o golpe de 1964, ao manipular o debate entre Collor e Lula, em 1989, ao pedir desculpas e fazer autocrítica, mas parece o escorpião cujo DNA é incontrolável, porque depois rendeu-se ao farsante Sérgio Moro, o Powerpoint da Globonews etc etc etc.
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