“Empresa não é palanque”: assédio eleitoral no trabalho eleva risco para empregadores
No último dia 16 de agosto, teve início a campanha eleitoral no Brasil.
Em um país dividido e polarizado, as empresas precisam estar atentas, pois a linha entre uma simples discussão política e uma pressão indevida para promover um candidato pode ser tênue, especialmente quando parte de um superior hierárquico e vem acompanhada de ameaças.
Com a campanha nas ruas, as empresas precisam estar atentas ao aumento do risco trabalhista e reputacional, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney .
Isso porque o assédio eleitoral no ambiente de trabalho pode começar muito antes do auge da campanha.
Ele pode aparecer na insistência de um gestor para que funcionários apoiem determinado político, na distribuição de material de campanha, na promessa de vantagens, na cobrança sobre o voto ou até em comentários aparentemente informais quando quem fala tem poder para promover, punir ou até demitir quem escuta.
A novidade neste ano é que a vedação ganhou espaço explícito nas regras das eleições .
A Resolução 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizada para as eleições de 2026, determina que são proibidos tanto a propaganda quanto o assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos e privados, estabelecendo que pode ser responsabilizado quem praticar ou permitir esse tipo de conduta.
A mudança não resolve o problema, que já era combatido pela legislação trabalhista e eleitoral, mas torna mais clara uma fronteira que as empresas precisarão administrar em um país politicamente polarizado.
“Empresa não é palanque”, diz a advogada Cláudia Securato.
Para ela, os casos mais fáceis de identificar são aqueles em que o empregador condiciona o emprego ao resultado das urnas ou à escolha do funcionário, com frases como “quem não votar no meu candidato não trabalha aqui” ou ameaças de que a companhia fechará caso determinado político vença a eleição.
Hierarquia Securato chama atenção para uma zona particularmente delicada: as formas sutis de indução, especialmente quando partem de pessoas em posição de comando.
“É a relação hierárquica que pode transformar uma conversa aparentemente banal em um risco”, afirma.
Para Thiago Shimada, estrategista de performance empresarial e especialista em mecanismos decisórios de lideranças, a manifestação política de um chefe não pode ser analisada da mesma forma que uma conversa entre colegas.
“Em uma empresa, a opinião do líder nunca tem exatamente o mesmo peso da opinião de um colega, porque existe uma relação de poder, dependência econômica, avaliação, promoção e possibilidade de desligamento”, afirma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.