Casas Bahia fecha acordo com sindicatos e vai pagar R$ 7.500 para trabalhadores demitidos
São Paulo O Grupo Casas Bahia fechou acordo com sindicatos nesta quinta-feira (15) e vai pagar R$ 7.500 aos 4.300 trabalhadores demitidos pela varejista em agosto . Conforme o acordo, intermediado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), os profissionais receberão ainda as verbas rescisórias e haverá participação das entidades sindicais nas futuras dispensas coletivas.
A conciliação ocorre após a CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio), a UGT (União Geral dos Trabalhadores) e o Sindicato dos Comerciários de SP entrarem com ação na Justiça contra as demissões, e abrange demitidos em todas as regiões. A maioria, no entanto, se concentra na capital paulista.
As demissões em massa ocorreram sem aviso prévio, contrariando decisão consolidada do STF (Supremo Tribunal Federal). A ação tramitou na 11ª Vara do Trabalho de Brasília (DF), que concedeu decisão provisória suspendendo os efeitos das dispensas.
Além da indenização de R$ 7.500 por trabalhador, o acordo prevê o pagamento de aviso-prévio, multa de 40% sobre o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), salários referentes aos dias 17, 18 e 19 de agosto e outras verbas trabalhistas, como férias, 13º salário e eventuais comissões e premiações.
Também estão previstas compensações para trabalhadores que tinham direito à estabilidade no emprego. O documento assinado estabelece ainda que as dispensas realizadas entre 13 e 16 de agosto ficam sem efeito e será adotado o dia 19 de agosto como referência para o cálculo das verbas rescisórias.
Entre os valores previstos está também a multa equivalente a um salário pelo atraso no pagamento da rescisão. O pagamento de parte dos valores será vinculado à recuperação judicial da empresa, após autorização e liberação pela Justiça.
Outras verbas, como férias, 13º salário e eventuais comissões, seguirão as regras da recuperação judicial.
Os sindicatos tentaram fechar um acordo direto com a varejista, em vão. Após reunião de conciliação no Cejusc (Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas) de Brasília, chegou-se a um consenso. O acordo foi homologado na tarde desta quinta.
As demissões no grupo ocorreram entre os dias 13 e 16 de agosto, durante fase de reestruturação da empresa. Em seguida, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial. Em 18 de agosto, a Justiça do Trabalho anulou as dispensas e determinou a reintegração dos empregados.
A decisão considerou que a empresa não havia tentado negociar previamente com os sindicatos, como exige o entendimento do STF para demissões em massa. A Casas Bahia alegou não ter condições financeiras e operacionais para reintegrar os profissionais, e deixou de pagar verbas rescisórias.
Além disso, levantamento feito pela CNTC mostrou que boa parte dos trabalhadores não teve acesso à documentação correta da dispensa para poder receber o seguro-desemprego e sacar o FGTS.
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