Laila Garin é fenômeno em cena como Edith Piaf com atuação sobrenatural que equilibra drama e música na corda bamba da vida da cantora francesa
Laila Garin canta e interpreta Edith Piaf (1915 – 1963) de forma visceral no espetáculo 'Piaf – Eu não me arrependo', em cartaz no Rio de Janeiro Caio Gallucci / Divulgação ♫ OPINIÃO ♬ Para o público brasileiro, a cantora francesa Edith Piaf (19 de dezembro de 1915 – 13 de outubro de 1963) sempre esteve identificada com a voz e o rosto de Bibi Ferreira (1º de junho de 1922 – 13 de fevereiro de 2019) desde 25 de maio de 1983.
Foi nessa data que a extraordinária atriz carioca estreou, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o musical de teatro “Piaf – A vida de uma estrela da canção”, com texto da dramaturga inglesa Pam Gems (1925 – 2011) traduzido para o português por Millôr Fernandes (1923 – 2012) e encenado sob a direção de Flávio Rangel (1934 – 1988).
Alguns números musicais do espetáculo ficaram eternizados no álbum ao vivo editado pela gravadora Som Livre ainda naquele ano de 1983 – disco que atestou a capacidade de Bibi de atingir a mesma densidade dramática do canto de Piaf.
O sucesso foi tanto que o repertório de Piaf jamais saiu da voz e dos roteiros de Bibi – até porque, em 1992, a artista estreou show com esse repertório e o apresentou com regularidade até 2014.
Contudo, o fato é que, a partir deste ano de 2026, Edith Piaf também adquire no Brasil a voz e o rosto de Laila Garin, atriz também extraordinária que sustenta as três horas de duração do musical “Piaf – Eu não me arrependo” com atuação sobrenatural.
Auxiliada por um também excepcional trabalho de caracterização, a atriz baiana – de ascendência francesa por parte de pai – é a alma e o motor que acionam a engrenagem do espetáculo produzido pela Aventura a partir de ideia de Sérgio Módena, diretor do musical em cartaz no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro (RJ), até 1º de novembro.
Laila Garin em cena do espetáculo 'Piaf – Eu não me arrependo' que retrata a cantora Edith Piaf (1915 – 1963) na juventude, quando ainda cantava nas ruas de Paris Caio Gallucci / Divulgação Com dramaturgia original de Newton Moreno e Alessandro Toller, o musical “Piaf – Eu não me arrependo” repisa os principais passos da vida da estrela da canção francesa criada entre as prostitutas de um bordel, os integrantes de trupe circense e as ruas de Paris, onde cantava em troca de moedas até ser descoberta em 1935 nas esquinas do bairro Pigalle por Louis Leplée (1883 – 1936) e levada para cantar no cabaré de Leplée, personagem vivido pelo ator Bernardo Berro.
Edith Piaf viveu os 47 anos de vida na corda bamba – se permitindo uma liberdade então negada às mulheres – entre abandonos, amantes, doses fartas de álcool, dores, gozos, traições, triunfos e o vício em morfina na fase final em que mal se aguentava de pé no palco, mas se manteve em cena, mostrando inesgotável capacidade de superação enfatizada no texto.
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