Karim Aïnouz defende o polêmico ‘Rosebush Pruning’: ‘Nós estamos vivendo o absurdo’
No último dia 4 de outubro, por volta das 22h, os jornais anunciavam um segundo turno para as eleições presidenciais, com Flávio Bolsonaro (PL), filho e herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro , abrindo vantagem sobre o atual presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva com 47,03% contra 45,16% dos votos válidos, respectivamente.
Na mesma noite, o vídeo de uma criança vestida com uma camiseta verde e amarela, as cores do Brasil, comemorava a primeira vitória do candidato de extrema direita, ainda que estivesse bem longe da idade para votar por si mesmo.
Em sua mão direita, uma arma era sacudida no ar.
Se verdadeira ou não, é impossível saber pelas imagens.
Porém, independentemente, a pergunta é a mesma: quão perto estamos de normalizar o completo absurdo? Para Karim Aïnouz ( A Vida Invisível ), nós já estamos vivendo o completo absurdo e o seu novo filme, Rosebush Pruning , que chega aos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira, dia 15 de outubro, retrata exatamente isso: “Acho que esse filme é um divisor de águas para mim.
Não dá mais para ficar só fazendo coisa séria.
Não tem a menor condição, entendeu? Porque nós estamos vivendo o absurdo” , declara o cineasta em entrevista à Rolling Stone Brasil .
Definido pelo próprio cineasta como uma “parábola absurda, caótica e bem-humorada” , Rosebush Pruning conta a história de quatro irmãos norte-americanos vivendo isolados em uma mansão com o pai cego, banhados em luxos providos por sua inesgotável fortuna e vivendo relações de dependência mútua que fogem do normal.
Quando um dos irmãos, Jack ( Jamie Bell , Todos Nós Desconhecidos ), anuncia que irá abandonar a família para morar com a namorada, Martha ( Elle Fanning , Valor Sentimental ), a estrutura familiar começa a ruir.
Ao mesmo tempo, o irmão de Jack , Ed ( Callum Turner , Eternidade ), começa a descobrir novos fatos sobre a misteriosa morte da mãe, revelando mentiras que desintegram a família brutalmente.
Karim Aïnouz defende o polêmico ‘Rosebush Pruning’: ‘Nós estamos vivendo o absurdo’ (Divulgação) Antes de chegar aos cinemas brasileiros, Rosebush Pruning teve a sua estreia mundial no prestiagiado Festival de Berlim , o Berlinale , em fevereiro deste ano — e a experiência não poderia ter sido menos intimidadora para Aïnouz : “Foi uma loucura porque a sala estava cheia de gente do mundo todo e, do meu lado, estava o ministro da cultura alemão [o Ministro de Estado da Cultura e Mídia, Wolfram Weimer ], que é um cara de extrema direita.
E eu falei: ‘Puta, fodeu’.
O cara não ria.
E o público ficava assim [em silêncio].
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.