Cliente deixa o carro na oficina para revisão e é cobrado por três serviços extras que não autorizou: o que o consumidor pode exigir
Pelo CDC, serviço feito sem orçamento prévio e autorização expressa é prática abusiva, e quem já pagou pode pedir a devolução em dobro do valor indevido
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Muita gente acha que, se a oficina mecânica já trocou as peças, só resta pagar e reclamar depois. O Código de Defesa do Consumidor diz outra coisa. Numa revisão veicular , qualquer item fora do combinado precisa de orçamento prévio e de autorização expressa do dono do carro. Se a conta chega com três serviços extras que ninguém pediu, o cliente tem base legal para contestar a cobrança antes de pagar.
Não. O artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor classifica como prática abusiva executar serviços sem orçamento prévio e sem autorização expressa do consumidor. A lei só abre exceção para práticas anteriores entre as partes, como um acerto habitual que o cliente já mantinha com aquela oficina.
O mesmo artigo proíbe fornecer qualquer serviço sem solicitação prévia. Nesses casos, o parágrafo único equipara o que foi feito a uma amostra grátis, sem obrigação de pagamento. Na prática, o serviço não autorizado não pode simplesmente entrar na nota da revisão como se fizesse parte do pacote. Ter aprovado a revisão não significa ter aprovado tudo o que o mecânico decidiu fazer depois.
Pelo artigo 40 do CDC , o orçamento deve separar o valor da mão de obra, dos materiais e dos equipamentos, as condições de pagamento e as datas de início e término. Salvo outro prazo combinado, ele vale por dez dias a partir do recebimento. Depois de aprovado, só muda por livre negociação. O cliente também não responde por serviços de terceiros que não estavam previstos.
O Procon do Rio Grande do Sul recomenda pedir o orçamento por escrito, porque num acerto apenas verbal o risco de problemas fica com o prestador. A troca de peças também tem regras próprias, como mostra outro caso envolvendo oficina mecânica.
Oficina instala uma peça recondicionada sem avisar e motorista descobre pela numeração que o orçamento dizia apenas substituição completa ➔
O primeiro passo é conversar antes de pagar, com o orçamento aprovado em mãos. Comparar esse documento com a nota da revisão veicular mostra exatamente quais itens não passaram pelo seu aval, e é isso que sustenta a contestação.
Uma reclamação organizada ajuda a resolver sem briga e deixa provas caso o problema avance. Esta sequência ajuda a manter tudo documentado:
No Procon, o consumidor pode pedir o cancelamento da cobrança dos itens que não aprovou, já que serviço sem orçamento e autorização é prática abusiva. Se a conta já foi paga, o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor prevê devolução em dobro do valor pago a mais, com correção e juros, salvo engano justificável.
Na Justiça, o artigo 6º do CDC permite que o juiz inverta o ônus da prova quando a alegação for verossímil ou o consumidor for hipossuficiente. Assim, a oficina pode ter de provar que o serviço não autorizado foi, na verdade, aprovado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.