Seguradoras não devem cobrir perdas de mercados franceses com ataque hacker
Supermercados franceses estão enfrentando prejuízos de milhões de euros depois que um ataque digital contra sistemas de refrigeração os obrigou a descartar alimentos estragados e os prejuízos não serão cobertos por seguros, afirmaram seguradoras à Reuters.
Hackers cuja identidade permanece desconhecida assumiram o controle das unidades de refrigeração de cerca de 350 supermercados franceses na noite de domingo (11), elevando a temperatura das geladeiras e freezers conectados à internet para 50 graus Celsius (122 graus Fahrenheit).
Os custos totais do ataque podem chegar a dezenas de milhões de euros em todo o país, estimou na segunda-feira Thierry Cotillard, presidente da Les Mousquetaires, proprietária da rede de mercados Intermarché. Ele afirmou que os supermercados iniciarão uma batalha judicial para determinar quem é o responsável pelas perdas.
O seguro para danos causados por eventos digitais normalmente não cobre perdas físicas decorrentes de ataques, e os pedidos de indenização dos supermercados podem ser prejudicados caso não tenham instalado nos equipamentos alvo dos hackers as atualizações de software mais recentes, disseram quatro corretores de seguros à Reuters.
Se um agente estatal for identificado como responsável pelo ataque, isso poderá complicar os pedidos de indenização dos supermercados, pois as apólices para danos eletrônicos normalmente não cobrem atos de guerra, segundo um agente do setor de seguros, que pediu anonimato por não estar autorizado a se pronunciar publicamente.
Há anos empresas defendem a adoção da chamada "Internet das Coisas" para conectar diferentes tipos de aparelhos à rede mundial de computadores, alegando que isso traria mais produtividade e economia de custos. Mas isso as expôs a novas ameaças de segurança, agravadas por avanços tecnológicos, incluindo a inteligência artificial.
Entre 2020 e 2025, os ataques digitais na França, Alemanha, Itália e Espanha custaram mais de 300 bilhões de euros em perdas econômicas, estima a corretora de seguros Howden.
David Molony, chefe da área de riscos digitais da corretora de seguros Aon, disse que recomenda às empresas de alguns setores, incluindo varejo e farmacêutico, uma cobertura específica para mercadorias perecíveis que precisam ser armazenadas em condições físicas rigidamente controladas.
"Dada a crescente digitalização da tecnologia operacional e dos sistemas conectados, essa é uma área que as empresas devem analisar cuidadosamente", disse ele.
As apólices de seguro para riscos eletrônicos dos supermercados podem cobrir alguns custos, como investigações internas ou a contratação de consultores de relações públicas, mas normalmente excluem perdas físicas.
A Intermarché informou à agência de notícias AFP na segunda-feira (12) que seu seguro não cobre esse tipo de incidente. Questionada pela Reuters, a Les Mousquetaires não comentou sobre seus acordos de seguro. Carrefour, Monoprix, Coopérative U e E.Leclerc não se manifestaram.
O ataque afetou geladeiras que utilizam software fornecido pela empresa dinamarquesa Danfoss, bem como pela Copeland e pela Dixell, informou a agência francesa de segurança digital.
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