Acordo petrolífero bilionário entre EUA e Venezuela ainda deixa muitas perguntas sem resposta
Em mensagem publicada na rede Truth Social, Trump classificou o pacto como "o maior acordo petrolífero da história mundial". O presidente afirmou que o entendimento foi negociado em colaboração com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e com a participação de empresas privadas.
Segundo os dois governos, o plano prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos considerados estratégicos, com reservas estimadas em 65 bilhões de barris. Em troca de participação acionária dos Estados Unidos, empresas privadas, incluindo companhias americanas, desenvolveriam esses campos e destinariam uma parcela maior das receitas do petróleo à Venezuela.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, estima que o acordo poderá atrair cerca de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 520 bilhões) em investimentos privados, gerar milhares de empregos e contribuir para a recuperação da economia venezuelana. Delcy Rodríguez afirmou ainda que o projeto poderá render mais de US$ 209 bilhões em receitas para o Estado venezuelano.
Trump vem incentivando empresas americanas a ampliar sua presença na Venezuela, embora muitas ainda demonstrem cautela diante da deterioração da infraestrutura do país e do histórico de expropriações de ativos de investidores estrangeiros durante os governos chavistas.
A Chevron, única petroleira americana que continuava operando na Venezuela quando Nicolás Maduro foi derrubado, informou em julho que elevou sua produção para 280 mil barris por dia e pretende aumentar esse volume em 50% até o fim de 2028.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, estimadas em mais de 300 bilhões de barris.
O interesse americano ocorre em um momento de tensão no mercado internacional de energia. Desde o início da guerra contra o Irã, há seis meses, o fornecimento global de petróleo enfrenta turbulências e o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz segue afetado pelo conflito.
Ao mesmo tempo, as reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos estão em um dos níveis mais baixos das últimas quatro décadas. Segundo o site Axios, o acordo anunciado por Washington e Caracas poderia mais do que dobrar as reservas petrolíferas americanas.
Com índices de aprovação em queda e eleições legislativas marcadas para novembro, Trump sustenta que a exploração de novos campos na Venezuela ajudará a ampliar a oferta de petróleo e a reduzir os preços da gasolina, um tema sensível para os eleitores americanos.
Analistas, porém, consideram improvável que os efeitos sejam sentidos no curto prazo. Em entrevista à AFP , o especialista em petróleo Oswaldo Felizzola afirmou que os projetos anunciados deverão levar anos até se transformarem em produção efetiva.
Outra dúvida envolve a participação efetiva das empresas privadas. Desde janeiro, Washington vem defendendo uma retomada da exploração de petróleo e gás na Venezuela sob supervisão americana. No entanto, grandes grupos do setor demonstram cautela diante do estado precário da infraestrutura petrolífera venezuelana, após anos de subinvestimentos.
Empresas estrangeiras também continuam lembrando das expropriações promovidas por governos chavistas no passado.
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