Pét-Nat: conheça o espumante que nunca para de mudar
Imagine abrir uma garrafa e descobrir que o líquido lá dentro ainda está fermentando.
Que ele pode vir turvo, com sedimentos no fundo, fechado com uma tampinha igual à de cerveja.
E que, se você guardá-la aberta por alguns dias, ela continua borbulhando como se nada tivesse acontecido.
Esse é o pét-nat , um espumante que foge de quase tudo o que se espera de um espumante.
O nome é uma abreviação carinhosa do francês pétillant naturel , algo como “borbulhoso natural”.
Esse apelido surgiu só no fim dos anos 1990, quando produtores de vinhos naturais do Vale do Loire , na França, passaram a usar o termo para se referir a um jeito antigo de fazer espumantes.
No começo dos anos 2000, o estilo conquistou os Estados Unidos e ajudou a popularizar o pét-nat.
Só que a técnica é muito mais antiga que o nome e os primeiros registros do chamado método ancestral datam de 1531, também na França, séculos antes de alguém pensar em transformar esse espumante na tendência que é hoje em dia.
Diferente da maioria dos espumantes, o pét-nat não perde o gás com o passar dos dias O método ancestral Os métodos mais conhecidos para produzir espumantes, o tradicional , criado em Champagne, e o charmat , dependem de uma segunda fermentação, provocada com a adição de mais açúcar ao vinho já pronto.
O método ancestral pula essa etapa inteira.
Em vez da segunda fermentação, tudo acontece na garrafa.
“A produção e o gás vêm do método ancestral.
Ele passa por uma única fermentação, que termina dentro da própria garrafa”, explica Eduardo Mendonça , produtor de vinhos naturais.
O processo começa como o de qualquer vinho, com a colheita e o desengace das uvas.
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