iFood aciona o Cade e acusa Keeta de ‘práticas predatórias’; rival fala em medo da concorrência
O iFood apresentou uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo a abertura de processo administrativo contra a Keeta, plataforma de delivery controlada pela chinesa Meituan, sob a alegação de práticas predatórias no mercado brasileiro.
Segundo o iFood, a Keeta opera com lucro negativo por pedido no Brasil, subsidiando artificialmente a operação com capital da matriz chinesa para conquistar mercado e eliminar concorrentes.
“Para o iFood, a representação não é uma disputa de narrativa entre concorrentes, mas resposta a um risco sistêmico para o ecossistema de delivery brasileiro: plataformas, restaurantes e entregadores”, diz a empresa.
A brasileira sustenta que o modelo de subsídios “agressivos” gera uma sensação de crescimento nos três lados da plataforma que não se sustenta no tempo.
“É uma pena que tenhamos que desviar recursos que poderiam ser empregados para o setor evoluir, para fazer frente a uma guerra de subsídios que não se sustenta pelo mérito, pela melhor tecnologia, pelo melhor serviço ou pela melhor experiência para quem usa a plataforma”, afirmou o vice-presidente jurídico do iFood, Lucas Pittioni.
A Keeta lançou operações no País há menos de um ano, em outubro de 2025, quando deu início ao piloto em Santos e São Vicente (SP).
A representação do iFood pede ao Cade três medidas concretas: abertura de processo administrativo formal, adoção de medida preventiva de cessação imediata das práticas de precificação abaixo do custo e acesso periódico aos dados de custos e precificação da plataforma para que monitoramento independente feito pelo órgão antitruste.
“A urgência da medida preventiva decorre do padrão documentado nos mercados onde o mesmo modelo foi aplicado: a saída de concorrentes e a deterioração do ecossistema ocorreram em meses, antes que qualquer processo ordinário pudesse ser concluído”, alega o iFood.
A empresa sustenta que autoridades de países como Dubai, Kuwait e Arábia Saudita já agiram preventivamente em seus mercados e que o Brasil seria o único grande mercado de delivery sem resposta regulatória equivalente.
“O Brasil tem a oportunidade de agir antes que o dano se consolide.
Em todos os mercados onde esse ciclo se completou, a janela de intervenção foi estreita.
O Cade tem a base legal, o diagnóstico do seu próprio Departamento de Estudos Econômicos e os precedentes internacionais que justificam a intervenção imediata”, completou Pittioni.
O que diz a Keeta Procurada, a Keeta afirmou que esta ação da concorrente é uma “clara estratégia monopolista para tentar desviar a atenção das autoridades da investigação à qual foram alvo, descumprindo o acordo que assinaram com o Cade em relação às exclusividades que prejudicam gravemente o mercado”.
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