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Uma possibilidade chamada Pedro Passos Coelho

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Uma possibilidade chamada Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho falou mais uma vez. Porque é que todos o ouvimos, e porque é que a oligarquia política fica sempre tão enervada? Por favor, poupem-nos os lugares-comuns do anti-sebastianismo. Passos Coelho não promete facilidades nem soluções mágicas. Quem exercita esse messianismo de cordel são o actual governo e as actuais oposições. O governo aumenta pensões; as oposições querem aumentos ainda maiores. Passos Coelho diz outra coisa: o país e o mundo estão a passar por mudanças demasiado grandes para que um governo de simples gestão e manipulação seja suficiente. Luís Montenegro governa como António Costa, que governou como António Guterres. É um tipo velho de governação que não serve num tempo de migrações, novas tecnologias, inflação, confrontos entre as grandes potências, e transformação do sistema partidário. O país precisa de uma viabilidade que não tem. Passos Coelho não é um entusiasta. É um político lúcido. Por isso o ouvimos, e por isso ele põe a oligarquia tão nervosa.

A oligarquia reagiu dizendo-nos que Passos Coelho quer voltar ao poder, mas que não quer dar o golpe. Acontece que Passos Coelho não está desejoso de voltar. Ouçam o que ele diz. Ele já lá esteve. Já tem o seu nome na história. Mas também não está retirado. Está, portanto, disponível. Se for necessário e para quando for necessário. Por ser essa a sua disposição, não é um conspirador nem um golpista. Por isso também, não é possível dizer já se o seu regresso vai acontecer, quando vai acontecer ou como irá acontecer. Um político raramente cria as suas oportunidades sozinho. Muito menos, um político que, disponível, não anda a tentar forçar a porta. Entrará se a porta abrir. E mais: sabe que a porta se abrirá em circunstâncias difíceis. O que não o faz desejar que aconteça.

Disseram-nos que propõe o entendimento do PSD com o Chega. Entendimentos com o Chega é o que Montenegro já faz, para esta ou aquela lei. Passos Coelho fala de outra coisa. Defende que o PSD, quando ficou à frente nas eleições, deveria ter-se esforçado por liderar uma maioria reformista, confrontando o Chega e a Iniciativa Liberal com as suas responsabilidades. O PSD não fez isso em 2024, porque a ideia era imitar o Cavaco Silva de 1985, e não faz isso agora, porque já não pode, depois da Spinumviva e de Luís Neves. Luís Montenegro mantém-se, não por habilidade sua, mas por interesse do PS e do Chega, a quem não convém derrubar o governo antes de crescerem decisivamente nas sondagens. Luís Montenegro meteu o PSD numa “armadilha”: está no governo como quem está numa travessa, à espera de ser trinchado pelos comensais do banquete.

Disseram-nos, finalmente, que Passos Coelho é uma impossibilidade. Se regressar à liderança do PSD, isso acontecerá depois de um desastre que deixe o PSD como um pequeno partido, bom apenas para servir de parceiro subalterno do PS ou do Chega. Não teria escada partidária para subir a primeiro-ministro. A propósito, vozes do Chega logo confirmaram à imprensa que se o Chega tiver mais votos que o PSD, esperará a chefia de um governo que resulte de um acordo entre os dois. É preciso dizer que o Chega faz mal as contas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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