Ataques híbridos da Rússia na Alemanha: Portugal chama embaixador russo e UE prepara resposta "forte"
Portugal vai convocar esta quarta-feira (2 de setembro) o embaixador russo, após os ataques híbridos atribuídos pela Alemanha a Moscovo no aeroporto de Leipzig, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, antecipando que a reação da UE ao incidente será muito "forte".
“Hoje de manhã faremos essa convocatória.
Iremos convocar o embaixador russo para dar explicações sobre este incidente.
Fá-lo-emos ainda durante a manhã.
Portanto, é natural que depois nos próximos dias ele venha ao Ministério dos Negócios Estrangeiros”, afirmou Paulo Rangel em declarações à agência Lusa à entrada para a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no condado de Wicklow, na Irlanda.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, descreveu como “terrorismo patrocinado por um Estado” o ataque falhado num aeroporto alemão atribuído à Rússia e anunciou ter convocado também o representante russo em Bruxelas.
"Vamos discutir o que mais podemos fazer”, acrescentou.
"Uma reação forte" Rangel referiu que os incidentes com drones no aeroporto de Leipzig vão ser discutidos pelos ministros e afirmou que “evidentemente algumas medidas serão tomadas”.
“Sem dúvida que a UE terá uma reação forte, como aliás já teve a Alemanha, relativamente a interesses russos que são altamente problemáticos hoje em dia no contexto europeu”, disse.
O ministro acrescentou que todos os Estados-membros estão a sentir ameaças híbridas da Rússia, dando o exemplo da Irlanda, que tem tido “vários incidentes”, incluindo em aeroportos, “nem todos com origem clara”.
Questionado se a resposta da UE deve passar apenas por sanções ou ir mais além, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o que está neste momento em causa são apenas sanções.
“É também uma questão que hoje provavelmente vamos discutir, embora sem tomarmos uma decisão: um pacote muito alargado de sanções visando indivíduos e empresas.
É um aspeto forte, mas evidentemente que há um conjunto de medidas de outro tipo, eu diria até preventivas, que podem vir a ser acordadas” , referiu.
Instado a indicar a que tipo de medidas preventivas é que se estava a referir, o chefe da diplomacia portuguesa indicou que são “medidas necessariamente de segurança, de segurança cibernética, do espaço aéreo”.
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