Elevador da Glória: um ano depois, porque está a investigação atrasada?
A 3 de setembro fará um ano sobre a tragédia do elevador da Glória. Era essa a data-limite legal para a investigação estar fechada. Não vai estar. O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) veio a público admitir que não consegue cumprir o prazo. E estima agora publicar o relatório final "próximo do final do primeiro trimestre de 2027" — quase ano e meio depois do acidente.
A explicação está numa nota informativa assinada em Lisboa a 20 de agosto, obrigatória por lei sempre que a investigação não termina dentro do prazo.
Depois do relatório preliminar, de outubro de 2025, os investigadores definiram que peritagens seriam precisas e contrataram três entidades externas: uma para o cabo e a forma como está preso às cabinas, outra para os travões e o comportamento dinâmico do sistema, uma terceira para estudar a aderência dos travões aos carris e às rodas.
Os concursos só ficaram fechados em fevereiro deste ano. Antes disso, nada podia começar.
Há ainda um segundo condicionamento: parte dos testes é destrutiva e não pode ser repetida. Como corre em paralelo um inquérito do Ministério Público, foi preciso combinar tudo com os procuradores, para que uma investigação não destruísse as provas da outra.
Os ascensores da Glória e do Lavra, iguais salvo no traçado, são " únicos no mundo , não existindo outros veículos similares", escreve o gabinete. E quase não têm documentação técnica.
Resultado: os peritos tiveram de reconstruir as características dos veículos por engenharia reversa — partir da peça para descobrir o projeto — e mandar construir de raiz o equipamento necessário para ensaiar cabos e travões. As cabinas do Lavra, intactas, estão a servir de laboratório de comparação.
E as surpresas não pararam. Os primeiros resultados obrigaram a alargar o estudo dos travões, a medir parâmetros da via e a contratar uma quarta entidade, para analisar o circuito elétrico. Como estes trabalhos dependem uns dos outros, avançam sobretudo em sequência, não em paralelo.
Os ensaios devem estar concluídos até ao final de novembro. Seguem-se a análise, o esboço do relatório e a audição obrigatória das entidades envolvidas.
O gabinete emitiu seis recomendações de segurança em novembro de 2025 e considera que todas tiveram resposta adequada.
A Carris trocou de prestador: revogou o contrato de manutenção com a MNTC, a 4 de novembro de 2025, e passou os contratos do modo elétrico para a LIFTECH, empresa do consórcio do Funicular da Graça. Internamente, criou um Departamento de Engenharia e Métodos e um núcleo dedicado à manutenção de ascensores e elevadores. Externamente, encomendou auditorias.
O Funicular da Graça, único equipamento reaberto, foi sujeito a inspeções ao cabo e uma radiografia à ligação entre o cabo e a cabina, com resultados positivos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.