A advogada que nunca foi, canibais em Hollywood, pedófilos na pizzaria e negócios com a Coreia do Norte: a história de Katie, a mulher que Trump escolheu para falar por si — e demitiu
Quando Katie Zacharia disse que tinha esperado muito tempo para trabalhar com Donald Trump, ainda não tinham passado dois minutos desde que entrara na sala de imprensa da Casa Branca.
Tinha à frente um dossier com os apontamentos preparados para a estreia, os jornalistas estavam sentados e as câmaras ligadas.
A nova porta-voz do Presidente norte-americano começou por agradecer a oportunidade e enumerar os feitos da administração. Falou da economia, das tarifas, da imigração, dos comícios republicanos e da energia inesgotável de Trump.
“Os americanos comuns estão a aparecer em massa nos comícios devido à agenda America First do Presidente Trump, com impostos mais baixos, salários mais elevados e uma das minhas prioridades favoritas, fronteiras seguras”, afirmou. “Não é difícil perceber porquê. O Presidente Trump luta pelos trabalhadores americanos e apresenta resultados a cada minuto de cada dia.”
Katie respondera a perguntas de apenas três órgãos de comunicação social — primeiro o Breitbart, site de notícias da direita radical norte-americana, dirigido durante anos por Steve Bannon, um dos principais ideólogos de Trump e seu antigo estratega na Casa Branca; depois a Fox News e, por último, o Daily Mail — e deixara sem esclarecimento uma questão sobre a eventual suspensão da partilha de informações dos serviços secretos norte-americanos com a Ucrânia.
Pelo meio, hesitou na leitura dos apontamentos, perdeu o fio a algumas frases e trocou o marido pelo Presidente quando procurava explicar a importância da família. “O meu Presidente… desculpem, o meu marido”, corrigiu, rindo-se do lapso.
Nos corredores da Casa Branca, segundo a CNN e o Washington Post, alguns responsáveis descreviam a estreia como desconfortável, embaraçosa e até “brutal”. Sarah Matthews, antiga porta-voz adjunta da primeira administração Trump, considerou-a “bastante dececionante”, apontando as três perguntas e a dependência dos apontamentos. Anthony Scaramucci, que durou apenas 11 dias como diretor de comunicação do Presidente, preferiu fazer contas: “O relógio está a contar. Até agora, um onze avos de um Scaramucci”.
Trump gostou. “Achei que esteve excelente. Esteve muito bem”, garantiu aos jornalistas, já com Katie Zacharia atrás de si. A Casa Branca divulgou um comunicado de elogio à estreia da 37.ª secretária de imprensa da administração norte-americana.
Na sexta-feira, Donald Trump demitiu Katie Zacharia. Ao fim de cinco dias no cargo.
Segundo conselheiros do Presidente ouvidos pela CNN, a saída da Casa Branca deverá concretizar-se nos próximos dias.
A mulher que Trump escolhera para o representar oficialmente tinha sido anunciada quatro dias antes como uma apoiante “leal e brilhante” do movimento MAGA. Katie Sharon Zacharia, nascida Black, tem 41 anos, quatro filhos, uma licenciatura em Direito e uma carreira no comentário político conservador.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.