2.000 hectares de área ardida no Parque de Montesinho
O presidente da Câmara de Vinhais estimou esta quinta-feira que o incêndio que deflagrou no sábado na União de Freguesias de Moimenta e Montouro e foi dominado no domingo consumiu mais de 2.000 hectares no Parque Natural de Montesinho.
Em declarações à agência Lusa, Luís Fernandes disse que toda a área consumida pelas chamas está dentro da área do Parque Natural de Montesinho (PNM), numa extensão de 2.094 hectares de terreno, atingindo a serra da Coroa.
“Os prejuízos são muitos, mas muito na área florestal e no campo agrícola, [sendo] os mais afetados os soutos e apiários, entre outras culturas, e o turismo”, vincou o autarca.
Como o fogo queimou 2.094 hectares de terreno, a paisagem do Parque Natural de Montesinho também sofreu os efeitos do incêndio.
“A paisagem ficou denegrida porque estamos a falar naquele que é um dos pulmões do Parque Natural de Montesinho, que é a serra da Coroa, no concelho de Vinhais”, sublinhou Luís Fernandes.
Na quarta-feira realizou-se na aldeia de Moimenta uma reunião extraordinária da Comissão de Cogestão do Parque Natural de Montesinho, na qual se analisaram e debateram os incêndios que afetaram o concelho de Vinhais , “tendo em vista a criação e implementação de estratégias mais eficazes na prevenção e no combate aos incêndios que têm sido devastadores”.
Os trabalhos permitiram identificar necessidades e prioridades de intervenção, designadamente no que respeita à avaliação dos danos, recuperação das áreas ardidas, proteção dos recursos naturais, prevenção da erosão dos solos e salvaguarda dos habitats e da biodiversidade, sem esquecer os impactos sobre as atividades desenvolvidas pelas populações locais.
Foi também consensualizada a importância de reforçar a cooperação entre municípios, freguesias, entidades responsáveis pela gestão dos baldios, forças de segurança, instituições de ensino e restantes parceiros do território, de forma a garantir uma resposta integrada aos efeitos dos fogos e fortalecer a capacidade de prevenção e adaptação face ao risco de incêndio rural.
Luís Fernandes destacou, durante a reunião, as dificuldades sentidas no combate aos incêndios que atingiram o concelh o, nomeadamente devido à falta de acessos e às limitações existentes em algumas zonas do território.
“Terá de haver um equilíbrio entre a proteção dos valores ambientais e a necessidade de garantir condições de segurança para as populações e para quem combate os incêndios”, indicou.
A Comissão de Cogestão do Parque Natural de Montesinho considerou que estes incêndios reforçam a necessidade de continuar a apostar numa gestão ativa da paisagem, na prevenção estrutural dos incêndios rurais e na valorização do conhecimento local, promovendo uma maior resiliência do território.
Este incêndio que deflagrou na madrugada de sábado, às 4h36, foi dominado pelas 7h50 de domingo, segundo fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
No sábado, cinco bombeiros ficaram feridos após a viatura em que seguiam ter sido consumida na totalidade pelas chamas.
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