PS considera precipitado PM assumir que poderá avançar sozinho com privatização total da TAP. Chega quer conhecer caderno de encargos
O PS considerou precipitado que o primeiro-ministro assuma que terá “capacidade política” para avançar sozinho para a privatização total da TAP, defendendo que o montante conseguido na privatização parcial da empresa mostra que os socialistas “tinham razão”.
“Neste momento, o PS é a favor de uma privatização parcial, que foi hoje conseguida.
O sucesso que reconhecemos do montante arrecadado com esta privatização parcial mostra que o PS tinha razão e que a privatização parcial é possível, é atrativa e mantemos a nossa posição a favor de uma privatização parcial”, disse esta quarta-feira, 14 de outubro, o dirigente do PS Filipe Santos Costa, numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, sobre o anúncio feito horas antes pelo primeiro-ministro de que o Governo escolheu a Lufthansa para a privatização parcial da TAP .
Questionado sobre o facto de Luís Montenegro ter admitido a privatização total da TAP até 2028, Filipe Santos Costa sublinhou que “o Governo tem que dialogar na Assembleia da República” porque “é um Governo de minoria”.
“E, portanto, parece-me um pouco precipitado da parte do primeiro-ministro assumir que terá a capacidade política para avançar sozinho para uma privatização total da TAP”, avisou.
De acordo com o dirigente socialista, este foi o “culminar de um processo iniciado pelo PS”, considerando que o executivo “ao elogiar os termos em que conseguiu esta privatização parcial” está a “validar a posição do PS a e contrariar a posição anterior de muitas pessoas da AD e do Governo”.
O Governo selecionou esta quarta-feira a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
Na mesma conferência de imprensa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu a privatização total da TAP até 2028, trocando uma parte do capital da companhia aérea por participação social na Lufthansa com o objetivo de recuperar o valor total investido pelos portugueses.
Privatização da TAP.
O que a Lufthansa prometeu ao Governo? A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.
Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.
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