Portuguesa C-MORE cria agente de IA “à prova de alucinações” para auditar fornecedores
A utilização de Inteligência Artificial (IA) generativa ainda gera receios no setor corporativo devido às chamadas “alucinações” – respostas plausíveis, mas inventadas.
Mas agora, a tecnológica portuguesa C-MORE lançou uma solução desenhada especificamente com o objetivo de que tal não aconteça, na gestão de compliance e sustentabilidade.
Batizada de ALMA, a nova ferramenta funciona como um agente autónomo que monitoriza cadeias de fornecimento de forma contínua e é capaz de reduzir, garante a empresa, processos de validação de cerca de 35 horas para apenas uma hora de trabalho assistido.
Cofundada por Carina Abreu e Carolina Almeida Cruz, a C-MORE criou esta ferramenta a pensar no aperto regulatório que as administrações europeias enfrentam, nomeadamente com a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) e o novo Regulamento de Inteligência Artificial da União Europeia ( AI Act ).
Ao DN/Dinheiro Vivo, a CEO da C-MORE, Carolina Almeida Cruz, explica que o segredo para evitar falhas críticas no software passa por não tratar os modelos de linguagem (LLM) como uma “caixa-negra” que decide de forma autónoma.
Em vez disso, a plataforma opera sob uma arquitetura evidence-first – focada primeiro na prova documental.
“O princípio central é simples: a ALMA não deve apenas gerar uma conclusão; deve conseguir explicar como chegou até ela.
Quando não existe evidência suficiente, o sistema assinala explicitamente essa limitação, em vez de preencher lacunas com suposições, evitando, assim, as alucinações”, diz a responsável, em resposta por e-mail a questões enviadas pelo DN/DV.
Nos testes e casos de uso já validados – em que a tecnologia cruzou informação sobre mais de 3500 entidades e 1,3 milhões de observações datadas –, o agente identifica para cada resposta a fonte exata da informação, incluindo o documento de origem, a data e a frase específica que a sustenta, atribuindo ainda um grau de confiança granular a cada análise, concretiza a empresa.
O peso da “economia dos questionários” A entrada desta tecnologia no mercado procura responder àquilo a que a C-MORE chama de “economia dos questionários”, um esforço manual de formulários intermináveis e submissões duplicadas que funciona como um imposto operacional sobre as empresas.
Atualmente, avaliar um único fornecedor pode exigir entre duas a quatro horas de trabalho especializado, com custos entre os 75 e os 110 euros por hora, a que se somam classificações anuais de risco de terceiros que variam entre 275 e 1400 euros por entidade, descreve a empresa portuguesa.
No âmbito da diretiva CSRD, entre 30% e 40% do orçamento de conformidade é absorvido apenas pela recolha de dados.
Ainda assim, até 89% dos profissionais da área continuam a antecipar falhas de auditoria ligadas a terceiros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.