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O arroz italiano é um aviso para Portugal

Diário de Notícias ·

Há uma ideia confortável, mas cada vez menos verdadeira, de que a abundância alimentar é uma condição normal das economias desenvolvidas.

Encontramos arroz, tomate, azeite ou fruta durante todo o ano, nas mesmas prateleiras, com uma aparente estabilidade de preço e disponibilidade.

Essa previsibilidade levou-nos a tratar a agricultura como um dado adquirido – e não como aquilo que é: uma infraestrutura económica crítica, altamente dependente de água, temperatura, solo, energia, financiamento e logística.

O que se passa nos arrozais do vale do Pó, em Itália, devia ser lido em Portugal como um sinal económico, não apenas como uma notícia agrícola.

Itália é o maior produtor europeu de arroz e, em 2025, tinha cerca de 235 mil hectares plantados.

Mas as ondas de calor, a escassez de chuva e a menor disponibilidade de água para rega têm deixado campos sem maturação e colocado produtores sob enorme pressão.

Os números ajudam a perceber por que razão este não é um tema marginal.

Na região de Pavia, o setor do arroz poderá perder mais de 100 milhões de euros, combinando seca, custos de produção crescentes e a queda do preço do arroz em casca, pressionado pela concorrência externa.

Mais de 80% da produção italiana de arroz concentra-se no norte, dependente da bacia do rio Pó.

Quando a disponibilidade de água se torna incerta, o impacto não é apenas agrícola: repercute-se na indústria alimentar, no retalho, no emprego local, no custo dos seguros e na inflação dos bens alimentares.

O contraste é revelador.

A abundância é o resultado de décadas de investimento, especialização, conhecimento agrícola, infraestruturas de rega e cadeias logísticas.

A escassez, porém, pode deixar de ser uma escolha cultural ou de consumo e tornar-se uma adaptação económica: menos água por hectare, menos margem para o produtor, menos oferta disponível, mais prudência na gestão de stocks e maior dependência de importações.

O risco não está apenas em produzir menos arroz.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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