Amnistia pede aos EUA transparência sobre ataque a escola no Irão
A Amnistia Internacional (AI) exigiu hoje aos Estados Unidos que divulguem os resultados da investigação interna sobre o ataque aéreo norte-americano contra uma escola primária em Minab, no sul do Irão, que matou em fevereiro quase 150 pessoas.
A organização de defesa dos direitos humanos fez o apelo após a publicação de uma notícia da Bloomberg segundo a qual vários altos responsáveis do Pentágono pretendem adiar a divulgação do documento até à conclusão das eleições intercalares de novembro nos Estados Unidos, devido ao impacto eleitoral que poderá ter para os republicanos e para o Presidente, Donald Trump.
A diretora nacional de Relações Governamentais da Amnistia Internacional nos Estados Unidos, Amanda Klasing, alertou que qualquer "novo adiamento é absolutamente inaceitável" e exigiu ao Departamento de Defesa que "divulgue imediatamente a investigação completa sobre o ataque aéreo", em que a maioria das vítimas foram crianças do sexo feminino.
"Matar mais de 100 crianças em idade escolar e depois tentar escapar à responsabilização, recorrendo a jogos políticos e mantendo esta investigação em segredo, é ilegal e inescrupuloso", afirmou Klasing.
A Amnistia considera ainda mais preocupante a possibilidade de "o Departamento de Defesa estar a adiar a divulgação para atenuar os efeitos políticos adversos nas eleições".
Por último, a organização exige que, uma vez reunidas provas suficientes, as autoridades competentes levem a julgamento "qualquer suspeito com responsabilidade criminal", recordando que tanto os sobreviventes como as famílias das vítimas "têm direito à verdade, à justiça e a reparações".
"Qualquer outra coisa equivaleria a encobrir um dos mais atrozes episódios de danos causados a civis pelas forças militares dos Estados Unidos na memória recente", concluiu.
O ataque à escola primária Shajareh Tayyebeh, localizada em Minab, no sul do Irão, ocorreu a 28 de fevereiro de 2026, causando mais de 150 mortos.
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