Irão procura manter os poucos parceiros face a "guerra económica" dos EUA
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de suspender as relações comerciais com o Irão, na semana passada, deu início à mais recente tentativa da Casa Branca de isolar e asfixiar o Irão através da operação "Pária Económico", que procura impedir qualquer indivíduo ou entidade de estabelecer negócios coma República Islâmica.
O Irão entrou na guerra, lançada há seis meses por Estados Unidos e Israel, com o seu comércio externo concentrado num grupo pequeno de países, o que lhe deixa agora menos opções, segundo uma análise da agência Associated Press (AP) ao impacto das novas sanções norte-americanas.
O sucesso da estratégia de Washington dependerá em grande parte da China, o principal comprador do petróleo iraniano e o seu maior parceiro comercial.
A Rússia, também alvo de amplas sanções do Ocidente, enfrenta pelo seu lado o conflito militar na Ucrânia e previsões económicas sombrias, que colocam também em dúvida a sua capacidade em fornecer ao seu aliado de longa data apoio financeiro substancial.
Parceiros regionais como a Turquia, o Paquistão e o Iraque mantêm relações importantes tanto com o Irão como com os Estados Unidos, o que a sugere a existência de argumentos para evitar a exposição às sanções secundárias, que, segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, serão aplicadas aos países que não cortarem os laços económicos com o Irão.
"Aqueles que se alinham com os Estados Unidos colherão os frutos da nossa parceria", disse Bessent na segunda-feira, ao apresentar o seu plano de asfixia do Irão, enquanto "aqueles que se atrelam ao regime iraniano devem esperar a partilha do seu isolamento".
Apesar das sanções ocidentais, o Irão, que não é membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), negociou 125 mil milhões de dólares (107 mil milhões de euros) em bens a nível global em 2024, de acordo com a empresa Trade Data Monitor.
Os Emirados Árabes Unidos, a China e a Turquia concentraram três quartos das importações de mercadorias do Irão e apenas quatro países – China, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Turquia – acumularam mais de dois terços das suas exportações não petrolíferas.
Do lado da oferta, os Emirados Árabes Unidos foram a maior fonte de artigos importados no Irão e uma porta de entrada para os canais financeiros, que ajudou as empresas iranianas a fazer e receber pagamentos internacionais, mantendo a República Islâmica ligada à economia global.
Como centro de reexportação, os Emirados processaram remessas de fornecedores estrangeiros relutantes em negociar diretamente com clientes iranianos.
"Na perspetiva do Irão, os Emirados Árabes Unidos podem ser substituídos, mas os iranianos estão a dizer abertamente que isso não vai acontecer de um dia para o outro", comentou Alex Vatanka, investigador-chefe do Middle East Institute, em Washington, citado pela AP.
A China compra a grande maioria do crude ao Irão através de redes comerciais opacas que contornam as sanções e tem laços económicos profundos com o Irão, mas depende menos desta relação.
Até agora, Pequim tem evitado envolver-se no conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel e que, seis meses depois, continua sem saída diplomática à
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